Petrobras decide fechar usina de biodiesel no Ceará em novembro

A Petrobras informou nesta sexta-feira (7) que decidiu fechar a usina de biodiesel de Quixadá, no Ceará, a partir do dia 1º de novembro. A decisão já foi comunicada a empregados, sindicatos, clientes e fornecedores e, segundo a estatal, está em linha com os planos de sair do setor de biocombustíveis.
"Considerando que de acordo com as projeções, não haveria uma solução para a usina em curto prazo e sem novos investimentos, o Conselho de Administração da Petrobras Biocombustível optou por encerrar a produção de biodiesel no Ceará e, assim, focar recursos em projetos com maior rentabilidade", disse a empresa, em nota.
A desmobilização das operações levará cerca de seis meses. Os empregados da unidade serão realocados em outras operações da estatal. Em março deste ano, a usina de Quixadá já havia reduzido seu quadro de funcionários, demitindo alguns terceirizados e transferindo outros trabalhadores. Segundo dados de fevereiro, a usina operava normalmente, até então, com 164 funcionários em todos os turnos.

Plano de desinvestimento
As operações das unidades de Montes Claros (MG) e Candeias (BA) serão mantidas, enquanto a companhia busca alternativas para essas unidades. No plano de negócios divulgado no mês passado, a estatal anunciou que sairá do negócio de biocombustíveis. A ideia é tentar vender as unidades.
Criada em 2008, a Petrobras combustíveis vem dando seguidos prejuízos à estatal. Em 2015, a perda foi de R$ 955,8 milhões.

Histórico da usina
A usina de biocombustíveis de Quixadá foi inaugurada em agosto de 2008, mas só começou a operar em setembro daquele ano. Um ano antes, em 2007, o então presidente Lula chegou a apontar a mamona, que seria a matéria-prima do equipamento, como a salvação de muitos agricultores do sertão, o que nunca aconteceu.
A baixa produção dos agricultores locais, inclusive, foi um problema desde o início, já que muita gente não acreditava que o modelo de negócio fosse dar certo, e que o plantio de cultivo de oleaginosas, em substituição aos produtos com os quais os agricultores já cultivavam para sustentar a família, fosse se tornar algo rentável.
O descrédito por parte dos agricultores fez com que a produção inicial ficasse em torno de 1% do que era esperado para que a Usina iniciasse sua produção. Com o tempo, a produção cearense de biodiesel até que chegou a crescer, avançando, por exemplo, 17% ao longo de 2015, mas a mamona nunca saiu do limbo. Com a Petrobras em crise e a pouca rentabilidade do equipamento, entretanto, o fim das atividades da usina era questão de tempo.

Diário do Nordeste
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