Samsung anuncia interrupção total da produção do Note 7 e pede aos usuários que desliguem o aparelho

A Samsung confirmou nesta terça-feira, 11, o fiasco do Galaxy Note 7 ao pedir a seus sócios que interrompam a venda do aparelho de última geração e recomendar aos usuários que desliguem o aparelho por conta do risco de explosão. Além disso, a empresa anunciou a interrupção total da produção do telefone Galaxy Note 7, alegando questões de segurança após os casos de explosão da bateria dos aparelhos. "Reajustamos recentemente os volumes da produção para realizar uma exaustiva investigação e um controle de qualidade, mas ao considerar prioritária a segurança do consumidor adotamos a decisão final de interromper a produção do Galaxy Note 7", afirma a empresa sul-coreana em um comunicado.
A gigante sul-coreana tenta agora limitar as repercussões para sua imagem do escândalo das baterias explosivas, um dos maiores reveses comerciais da empresa, em um momento de concorrência exacerbada. A decisão foi elogiada pela Agência Americana de Segurança do Consumidor, que advertiu contra os riscos do "phablet", como são chamados os modelos que ficam no meio do caminho entre os smartphones e os tablets.

O anúncio da principal fabricante mundial de smartphones provocou uma forte queda de 8% das ações da Samsung na Bolsa de Seul. Com a decisão, a Samsung comprova a derrocada do Galaxy Note 7, lançado com grande expectativa pela Samsung em agosto, com a esperança de pressionar a grande rival Apple.
A Samsung se viu forçada a ordenar em 2 de setembro um recall em escala mundial de 2,5 milhões de unidades do Note 7, depois que alguns phablets pegaram fogo com a explosão da bateria no momento de recarregar o aparelho.
As imagens de telefones completamente queimados, que circularam nas redes sociais por todo o planeta nas últimas semanas, representaram uma grande humilhação para uma empresa que afirma ser inovadora e prezar pela qualidade.

Gestão de crise desastrosa
A gestão da crise pela Samsung também foi muito criticada, já que o grupo reconheceu de forma implícita nesta terça-feira pela primeira vez que os aparelhos distribuídos para substituir os primeiros milhões de exemplares vendidos também tinham problemas. "Na primeira vez é possível pensar em um erro. Mas se você repete duas vezes o mesmo erro no mesmo modelo, isto gera uma considerável perda de confiança dos consumidores", afirma Greg Roh, da HMC Investment Securities.
"O motivo dos consumidores decidirem pela Apple ou Samsung é a confiabilidade do produto. Nesta situação, o dano em termos de imagem será inevitável e a Samsung terá que trabalhar muito para inverter a tendência", completa.
A empresa sul-coreana justificou a decisão pela necessidade de uma "profunda investigação" dos incidentes. "A segurança dos consumidores é nossa prioridade. A Samsung pede a todos os operadores e varejistas que parem de vender e trocar o Galaxy Note 7, enquanto realiza a investigação", afirma o grupo em um comunicado mais claro que o de segunda-feira, quando a empresa destacou apenas um "ajuste dos volumes de produção" do aparelho.
A Samsung orienta todos os donos de um modelo original do Galaxy Note 7 ou de um aparelho substituído que "apaguem e parem de utilizar o phablet".
A decisão da Samsung foi elogiada por Elliot Kaye, presidente da Agência Americana de Segurança do Consumidor (CPSC). 
A Autoridade de Aviação Civil (FAA) dos Estados Unidos divulgou novas recomendações e pediu aos passageiros que possuem o Note 7 que não utilizem ou recarreguem a bateria em voo. Também solicita que o aparelho não seja guardado na bagagem.

Fiasco de US$ 10 bilhões?
No domingo, a gigante americana das telecomunicações AT&T e sua concorrente alemã T-Mobile anunciaram que interrompiam as operações com os Galaxy Note 7 à espera de investigações adicionais.
Linda Sui, especialista em telefonia móvel na Strategy Analytics, calcula que o caso pode custar a Samsung "10 bilhões de dólares ou mais".
O fracasso do Note 7 é ainda mais inquietante por acontecer em um momento crítico para o grupo, que enfrenta uma transição complicada de gerações em sua direção.
Na semana passada, o fundo americano Elliott Management jogou mais lenha na fogueira ao propor a divisão do grupo em duas empresas independentes.

AFP
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