Líderes petistas no Ceará reagem a ameaças de debandada do partido

A reunião era para dar as boas-vindas a petistas que acabaram de ser eleitos ou reeleitos para as gestões municipais em todo o Estado, mas o discurso girou em torno das ameaças de saída de membros do partido. Em encontro estadual do PT realizado na manhã de ontem, líderes da legenda criticaram filiados que têm reclamado de “crise ética” na sigla e disseram que essa discussão deve ser feita internamente.
“O PT tem uma maldição: quem sai dele, às vezes, quebra a cara”, discursou o deputado federal José Guimarães aos 16 prefeitos, 18 vices e 133 vereadores eleitos no pleito deste ano. Ele disse que “quem fala mal do PT é, no mínimo, ingrato”, porque a pessoa não reconheceria seu “legado”.
Quem também teceu críticas duras aos possíveis dissidentes foi o senador José Pimentel. Também destacando as melhorias que o PT teria feito no Brasil, ele afirmou que quem pretende deixar a legenda não pode “sujar” este legado com suas críticas. “Aqueles que não querem ficar no partido,não têm obrigação, mas também não têm o direito de atrapalhar a nossa história”, disse.
Durante as entrevistas, no entanto, o tom usado para falar sobre o tema era mais brando. O presidente estadual do PT, Francisco de Assis Dinz, negou que a ameaça de debandada exista. “Até hoje não tivemos uma única apresentação (de saída), o que tem é página de jornal, é firula”.
Segundo De Assis, o único que falou sobre isso foi o ex-secretário Artur Bruno, que não teria, porém, notificado o partido. “Me estranham os argumentos de que vai sair do PT por uma crise ética. Ora, quem é Arthur Bruno para falar de uma crise ética? É um debate que a gente precisa fazer e que ele precisa vir ao PT pra fazer”, criticou.
Outro nome que figurava entre os possíveis dissidentes, o deputado federal José Airton demonstrou insatisfação com o partido, mas disse que: “Sair, hoje, não”. Diferentes dos correligionários, as críticas dele foram direcionadas à sigla. “O PT não pode continuar como está, não dá para ums burocracia continuar mandando e desmandando dentro do PT”.
Segundo ele, se o congresso da sigla não fizer um “debate profundo” sobre algumas práticas, há a possibilidade de retirada. “Vou ver se o PT muda ou não essa forma de fazer política que nós estamos vendo hoje”, explicou.

Autocrítica
Com dez prefeitos a menos eleitos no Estado, Guimarães nega que o PT foi derrotado no pleito deste ano. “Todos os partidos perderam eleições importantes aqui no Ceará”, disse. De Assis também negou derrota, afirmando que partido encontra-se numa “quadra extremamente favorável”. 
Guimarães, porém, assim como o prefeito eleito de Quixadá e membro do diretório estadual Ilário Marques admite que este é o momento do partido fazer uma autocrítica e mudar seu programa e suas lideranças para se renovar.
Já De Assis, embora fale de autocrítica, defende que o PT “não está apanhando pelos erros, mas pelos acertos”. “Quais são nossos erros? Caixa dois? O caixa dois nesse País é a regra”.
A reportagem não conseguiu falar com Artur Bruno.

O POVO Online
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