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Pedidos que comovem 'Papai Noel': de chuva a saúde

"Querido Papai Noel, neste Natal, eu gostaria de..." Já se passaram 22 anos desde que José Uédson Campelo, 51, começou a escutar a expressão na pele e nas vestes do bom velhinho. "Quando fiz minha primeira seleção para o papel, me perguntaram porque eu queria ser Papai Noel. Respondi que seria muito bom transmitir amor e carinho por meio de uma imagem tão tradicional". Como resultado, conquistou o emprego e a oportunidade de escutar centenas de histórias dos pequenos.
Alguns cochicham carrinhos, bonecas e até viagens para a Disneylândia no ouvido dele. Contudo, são as histórias mais sublimes que marcam a carreira do ator. "Uma criança do Bom Jardim me pediu uma oportunidade de emprego para o pai, que está fazendo 'bicos' há um ano. Outra pediu a cura para a mãe, que tem câncer de mama. Ela só queria que o cabelo da mãe crescesse de novo para ela ficar bonita na noite de Natal", relata.
"Nesses momentos, eu já me vejo não como personagem, mas como uma pessoa que quer tentar ajudar de alguma maneira", revela Uédson, o Noel do Coral de Luz, no Centro de Fortaleza. Ele diz que o aspecto mais nobre da profissão é sentir o carinho e a felicidade das crianças, seja com elas no colo ou lendo cartinhas de vez em quando, porque elas ainda acreditam em sonhos "mesmo numa época tão difícil". O ator Ricardo Araújo, 43, é outro Noel que exibe a barba farta - ainda que artificial - e as vestes vermelhas, à espera da visita de meninos e meninas numa casinha natalina toda enfeitada, na Praça do Ferreira. "Eles vêm com pedidos desde os mais simples aos mais modernos. Alguns pedem bola e boneca, mas outros pedem rede para dormir e cesta básica para comer", diz.

Padrinhos
Todos os dias, Ricardo lê as cartinhas deixadas na casa e separa aquelas com pedidos mais simples. Durante o horário de almoço, ele as oferece a possíveis padrinhos, comerciantes e transeuntes, ali mesmo do Centro. Contudo, nem toda solicitação é comprável. "Para as crianças que pedem paz e saúde na família, digo que Papai Noel vai conversar e rezar com Papai do Céu para dar certo".
Essa foi a mesma estratégia de Ailton Gonçalves, 60, que ocupa o trono em um shopping no bairro Papicu, quando um menino o pediu a cura da doença do pai. "Foi um pedido especial, porque a maioria vem atrás de boneca e bicicleta. O Papai Noel disse que ele tinha que rezar muito. A gente se emociona com as crianças, com o jeito puro que elas têm", acrescenta. Natural de Porto Alegre, o ator mal sabia que tinha o dom até começar a fazer sucesso nas festinhas de família.
De sorriso fácil, Luís Freitas, 63 (e Noel há 10 anos), anima um shopping na Parangaba. Ele avalia o comportamento dos pequenos, perguntando se passaram de ano e obedeceram aos pais, para então prometer carrinhos de controle remoto, ioiôs e celulares. "Tem umas que nem fazem questão de presente, só querem um abraço. Um rapaz me pediu a paz no mundo, até fiquei surpreso, e um garoto queria que eu fizesse chover no Ceará. Eu disse que ia tentar dar um jeito, e, por coincidência, deu uma chuva boa nesses dias", ri.
Luís se diz orgulhoso por ser capaz de dar esperança e alegria às crianças apenas com suas palavras. E, como estamos no período natalino, ele também faz um pedido: "Não deixem de acreditar no Natal. Deixem as crianças acreditarem que existe Papai Noel, porque é uma fase da vida só delas, assim como já foi minha, foi sua, e será dos seus filhos e netos. Deixem que elas descubram que nem você fez, porque é um modo de não deixar essa data passar em branco".

Diário do Nordeste
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