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Pesquisa registra anormalidade em 46% de 125 gestações com zika

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade da Califórnia (UCLA) registrou anormalidades em 46% das 125 gestações analisadas. O estudo comprova que os danos fetais provocados pelo vírus zika podem ocorrer ao longo de toda a gravidez e são muito mais variados do que apenas a microcefalia.
De acordo com Patrícia Brasil, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), algumas anomalias só podem ser detectadas apenas semanas ou meses após o nascimento da criança. 
“Um bebê aparentemente normal pode apresentar algum tipo de anormalidade não detectada em exames usuais de rotina. É muito importante saber isso, porque, quanto mais precoce for o diagnóstico, mais oportunas e efetivas poderão ser as medidas de intervenção que assegurem o melhor desenvolvimento dessas crianças”, conta a pesquisadora.
Publicado no New England Journal of Medicine, o estudo foi baseado em uma amostra maior de 345 mulheres do Rio de Janeiro. Dessas, 182 (53%) tiveram resultado positivo no teste para zika no sangue, na urina ou em ambos. Outro dado descoberto foi que 42% das mulheres que não tiveram zika estavam infectadas com chikungunya e que 3% das mulheres com zika também foram infectadas por chikungunya.

Resultado grave
Segundo Karim Nielsen, professora de pediatria clínica da Divisão de Doenças Pediátricas Infecciosas da Escola de Medicina da UCLA e também autora do estudo, os resultados são preocupantes. 
“Descobrimos que a microcefalia não é a alteração congênita mais comum do vírus zika e que a ausência desta condição não significa que você teve um bebê normal”, diz. “Há muitos problemas que não são aparentes no nascimento. Os recém-nascidos podem parecer normais, mas não o serem aos seis meses, e há toda uma vasta gama de problemas”.

Números 
Dados do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública sobre Microcefalias registram 10.441 casos notificados até 03 de dezembro de 2016. Desses, 3.173 (30,4%) permanecem em investigação e 7.268 foram investigados e classificados, sendo 2.228 confirmados para microcefalia e/ou alteração do SNC sugestivos de infecção congênita e 5.040 descartados.
A região Nordeste concentra o maior número de casos notificados, um acumulado de 6.823, dos quais 1.679 ainda permanecem em investigação. O estado de Pernambuco é o que concentra o maior número de registros, 2.224. O Ceará aparece em quarto lugar, com número acumulado de 624.

Redação Web
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