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Rebelião em cadeia pública reativada deixa quatro mortos em Manaus

Quatro pessoas foram mortas durante uma rebelião na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus, neste domingo (8), segundo o secretário de Administração Penitenciária do estado, Pedro Florêncio. O governo do Amazonas disse que dois detentos não apareceram na contagem feita após o motim. De acordo com o médico Daniel Sérgio, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), aproximadamente seis presos tiveram "ferimentos leves" após o motim. Um detento está internado com quadro estável no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.
Também neste domingo, três corpos em avançado estado de decomposição foram encontrados no ramal de acesso ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), situado na BR-174, em Manaus, na manhã deste domingo (8). O presídio é o mesmo onde ocorreu o massacre de 56 detentos no primeiro dia do ano. A informação foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML).
Mais cedo, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) havia dito que um quinto preso morreu e que outros 5 presos estão desaparecidos, mas a informação ainda não foi confirmada oficialmente.
A cadeia Vidal Pessoa estava desativada desde outubro de 2016 por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi reativada no último dia 2 após o massacre de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
Desde então, recebeu 284 presos transferidos de presídios do Amazonas por "medida de segurança". A intenção do governo era isolar os membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) dos outros presos da facção Família do Norte (FDN).
Os internos transferidos à Vidal Pessoa  estavam presos no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), o Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

Rebelião
A movimentação dos detentos começou por volta das 3h do horário local (5h de Brasília). No momento do tumulto, apenas dois agentes penitenciários monitoravam o local, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Amazonas, Antônio Santiago.
Em nota, o Comitê de Gerenciamento de Crise informou que os presos iniciaram uma briga por motivo desconhecido. Dos quatro mortos confirmados, três foram decapitados e um asfixiado. A OAB-AM diz ainda que um quinto detento morreu após dar entrada em um hospital de Manaus. Outro preso segue internado com quadro clínico estável em uma unidade hospitalar após passar por cirurgia.
O policiamento foi reforçado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar. As mortes serão investigadas, segundo o comitê de crise. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) para identificação.
Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, Epitácio Almeida, cinco detentos estão desaparecidos. A ausência dos internos foi notada após a contagem de presos. "Cinco [detentos] não foram encontrados. Podem estar escondidos no forro, foragidos", disse. Segundo ele, os presos já voltaram para as celas.
A Seap informou em nota que a Secretaria e a Polícia Militar estão realizando uma nova contagem na cadeia. A secretaria informou que a situação dentro da unidade é considerada "estável".

Tumulto na sexta
A penitenciária registrou um tumulto na tarde desta sexta-feira (6). De acordo com a Polícia Militar, os presos reclamam da estrutura do lugar, que abriga mais de 200 na capela e na enfermaria da unidade prisional.
O local foi desativado em outubro de 2016 por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi alvo de críticas do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
A Cadeia Vidal Pessoa foi reaberta na segunda-feira (2) para a acomodação de presos ameaçados de morte pela facção criminosa Família do Norte (FDN), apontada como responsável pelas 56 mortes no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na semana passada. A medida foi adotada de modo emergencial para "preservar vidas", segundo fontes.
Devido ao abandono do prédio, o local está com estrutura deteriorada, incluindo as celas, que contém restos de obras e entulho. O procurador geral do MP, Pedro Bezerra, fez uma visita ao local na quarta-feira (4). Segundo ele, os presos "estão muito amontoados porque as outras partes [da cadeia] não estavam em condições de recebê-los".
Na sexta-feira, os detentos queriam ir para o raio B, uma das alas da cadeia que tem 24 celas. As secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária e membros da Defensoria Pública do Estado foram até a cadeia para conversar com os detentos após a confusão.
O secretário de Segurança Pública do estado, Sérgio Fontes, informou na sexta que os presos concordaram em permanecer onde estavam alojados até o término de obras, que estão sendo feitas nas celas do presídio.

Reação das famílias
Fora da cadeia pública, familiares iniciaram um tumulto em busca de informações sobre os detentos. O Batalhão de Choque interveio com spray de pimenta. Segundo informações da GloboNews, os familiares foram avisados pelos próprios presos, a partir de ligações feitas de dentro das cadeias, de que houve uma rebelião.
Ainda neste domingo (8), a assessoria do Ministério da Justiça informou que o titular da pasta, Alexandre de Moraes, autorizou o envio de apoio federal para atender a pedidos dos governos de Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. Os três estados solicitaram ajuda da União para conter a crise penitenciária e modernizar as penitenciárias locais.
O Ministério da Justiça disse ainda que o governo amazonense solicitou "ajuda imediata" da Força Integrada de Atuação do Sistema Penitenciário. Ainda de acordo com a pasta, os pedidos encaminhados por Manaus já foram autorizados por Moraes.

Onda de rebeliões
O primeiro tumulto nas unidades prisionais do Amazonas ocorreu no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). Um total de 72 presos fugiu da unidade prisional na manhã de domingo (1º).
Horas mais tarde, por volta de 14h, detentos do Compaj iniciaram uma rebelião violenta na unidade, que resultou na morte de 56 presos. O massacre foi liderado por internos da facção Família do Norte (FDN).
A rebelião no Compaj durou aproximadamente 17 horas e acabou na manhã de segunda-feira (2). Após o fim do tumulto na unidade, o Ipat e o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) também registraram distúrbios.
No Instituto, internos fizeram um "batidão de grade", enquanto no CDPM os internos alojados em um dos pavilhões tentaram fugir, mas foram impedidos pela Polícia Militar, que reforçou a segurança na unidade.
No fim da tarde, quatro presos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus, foram mortos dentro do presídio. Segundo a SSP, não se tratou de uma rebelião, mas sim de uma ação direcionada a um grupo de presos.

G1
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