Governo do Ceará corta orçamento em mais de 50%, Centec fecha 22 CVTs e demite 100 pessoas

A Associação dos Empregados do Centec (Aecentec) divulgou nota à imprensa em defesa dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT) que atravessam um período de crise com fechamento de mais da metade das unidades e demissões. Pertencentes ao Instituto Centec, organização social vinculada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), a rede dos CVTs, que tinha 38 unidades em funcionamento, será reduzida para 22 a 23 – os demais serão fechados. Foi iniciada a demissão de 100 funcionários do Instituto Centec.
A Aecentec denuncia a redução superior a 50% no aporte do Governo do Estado destinado ao Instituto Centec desde 2009. O corte nos recursos, segundo a entidade, repercutiu no sucateamento das suas instalações físicas e em perdas salariais do seu quadro de pessoal.
“Vocacionado para o desenvolvimento local, o CVT está apto a atuar no ensino, na extensão tecnológica, através de ações que atendam às demandas dos setores primário, secundário e terciário. Estas ações se dão prioritariamente em regiões onde a ação governamental nem sempre se faz presente na intensidade necessária e suficiente”, afirma a nota.
Os empregados do Centec asseguram que a rede CVT está a serviço dos segmentos informais e menos favorecidos, em contraponto à educação formal que disputa o mercado. Conforme a nota, no seu papel de ferramenta a serviço da interiorização do desenvolvimento, a concepção e trajetória dos CVTs tem se revelado de alto alcance na promoção da qualidade de vida das comunidades, projetando a sua experiência em nível nacional.
A entidade contesta a afirmação de que o CVT já cumpriu o seu papel, ao argumentar que a “ênfase desse determinismo não revela a realidade na prática”. Conforme a nota, ainda há muito o que se fazer sob a liderança do Instituto Centec nas comunidades distantes dos centros dinâmicos da nossa economia.
Segundo a entidade, o reconhecimento da experiência levada a efeito pelos CVTs motivou o Governo Federal, através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a desenvolver, através da sua Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, o Programa de Centros Vocacionais Tecnológicos, hoje implantado em vários Estados do País. “Nesse contexto – acrescenta - há que se considerar as demandas dos rincões mais distantes cuja população não tem como se deslocar para os grandes centros em busca de capacitação - ou mesmo pagar por isso”.
“É preciso diferenciar os papeis relativos a capacitação das pessoas daquelas ações de caráter duradouro, em favor do desenvolvimento das comunidades”, recomenda a Aecentec. Segundo a entidade, a rede de CVTs supre a necessidade dos egressos de cursos profissionalizantes que, ao concluírem, verificam que não era bem o que desejavam e buscam novas oportunidades.
A nota convida a sociedade a fazer uma reflexão e deixa indagações: - será que os empresários encontram mão de obra para suprir suas demandas, aptas a trabalhar nos escritórios? Onde os industriais encontram profissionais qualificados para suprir as suas especificidades, se não através dos cursos ofertados pela rede de CVTs?. Os segmentos da agricultura, conforme a nota, também suprem necessidades de capacitação através das iniciativas lideradas pela rede CVT.

Flamínio Araripe
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