Inclusão digital amplia geração de renda no Ceará

Elevar em número significativo a quantidade de pessoas conectadas à rede móvel - e/ou fixa - para, a partir do desenvolvimento delas, alçar números mais relevantes na geração de empregos e também no Produto Interno Bruto (PIB) tem se tornado uma estratégia consolidada no Ceará. Além dos centros urbanos mais populosos, o Estado empreendeu esforços para levar aos distritos mais afastados o sinal 3G, com o projeto Alô Sertão, ampliando a inclusão dos cidadãos com acesso à web. São 295 localidades atendidas desde 2014, das quais 73 possuem sinal pleno já comprovado pela Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra).
O projeto, que concede compensação fiscal à operadora Vivo a cada nova antena instalada, objetiva o que muitos estudos já verificaram: quanto maior é a conectividade, maior também é a produtividade e a inovação da região.
O objetivo? O desenvolvimento econômico. A fórmula é simples. Estudantes, comerciantes, agricultores e demais atores do setor produtivo local têm acesso ao sinal que possibilita tanto telefonemas quanto à internet, adquirem conhecimento necessário para inovar nas respectivas atividades e, executadas as operações, o resultado é a geração de mais riquezas para quem estiver ao redor deles. Estudo desenvolvido pela consultoria Deloitte em 2014 já apontava o sucesso deste modelo em países da África, inclusive, como propulsor para os chamados países em desenvolvimento, como o Brasil.
"Os centros de tecnologia como Bangalore, na Índia e Lagos, na Nigéria, ajudaram empresários a compartilhar ideias e a se conectar com investidores em todo o mundo, levando ao surgimento de novas indústrias", exemplifica o relatório, apontando ainda as micros e pequenas empresas como principais beneficiárias de um modelo de desenvolvimento arraigado nas telecomunicações.
"Temos uma ideia de desenvolvimento baseado no conhecimento e informação. Então, entendemos que o acesso à banda larga traz grande benefícios à população. Além de agregar informação, agrega um incremento econômico à região. A tecnologia evolui muito rápido e a comunicação máquina a máquina e a internet das coisas, por exemplo, vão atropelar muito o processo de evolução e trarão desenvolvimento para todas as áreas. Obviamente, quem estiver preparado vai ter velocidade maior de desenvolvimento", observa Sérgio Kern, diretor do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil).

Preparação para o futuro
O Alô Sertão, no entanto, já é o segundo passo neste plano de desenvolver as telecomunicações para lograr êxito na economia, como afirma o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude. O primeiro foi o Cinturão Digital, que dotou o Ceará de um "backbone" de 3,5 mil quilômetros de fibra óptica propícia para a conexão de banda larga fixa.
Ao todo, são 80 cidades conectadas e uma meta de R$ 6 milhões aportados no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para atender a mais 26 municípios até o fim do primeiro semestre de 2017, como informa a Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice). "Está sendo plantando com estes dois projetos um embrião para que se crie essa infraestrutura de conexão fixa e móvel que vai trazer o desenvolvimento econômico", afirma Tude. Segundo analisa o diretor do SindiTelebrasil sobre o programa empregado no Estado, "acertivamente, a operação sem fio traz uma agilidade, menor custo e uma dinâmica muito superior ao acesso cabeado", tornando-se a tecnologia atual mais adequada para promover a inclusão da dos cearenses que habitam as localidades mais afastadas.
Objetivamente, o presidente da Teleco lembra que a instalação de uma antena, é mais em conta financeiramente que fazer o cabeamento de toda uma região, além de proporcionar o sinal móvel 3G para os celulares.

Custo por antena
Longe de ser um estado de alta teledensidade (relação entre o número de habitantes e a quantidade de chips móveis ativos), o Ceará precisa abrir mão de R$ 101.878,50, em média, para cada antena instalada, como forma de torna-se atrativo para uma operadora de telefonia móvel ter interesse em cobrir o território. A informação é da Seinfra, pasta responsável por repassar os valores para a Secretaria da Fazenda (Sefaz), quem realiza a compensação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A periodicidade em que acontece depende do calendário de fiscalização, segundo informa o coordenador de Energia e Comunicação da Seinfra, Elpídio Câmara. Até agora, 73 das 295 cidades nas quais a Vivo disse ter instalado o equipamento já foram fiscalizadas e tiveram a compensação autorizada. Sobre a escolha da operadora, ele afirma que a companhia atendeu melhor às exigências do Estado e habilitou-se a desempenhar o serviço a partir do modelo de abatimento do ICMS.

Dinâmica
A disposição da Vivo em operar o Alô Sertão, no entanto, ainda não resultou números significativos para operadora no que diz respeito à participação no mercado de telefonia móvel cearense. Responsável pela maior quantidade de antenas do Estado (907), a tele amarga apenas 5% dos chips conectados.
A chegada de sinal 3G levado pela companhia aos distritos causou diferentes reações. Para os habitantes que sequer podiam ter um smartphone devido à falta de sinal, o sentimento foi de inclusão e satisfação, uma vez que, além de realizar chamadas, eles também puderam começar a acessar a internet pelo aparelho. Já os que já possuiam celular, mas com a tecnologia anterior (2G), inicialmente pensaram não haver sinal, e depois viram que era necessário trocar de aparelho para ter acesso à web.

Pioneirismo na região
O projeto cearense promete pioneirismo na conexão móvel no Nordeste, principalmente pelo porte. Em toda a região, apenas Pernambuco possui algo semelhante - também em parceria com a Vivo, mas bem mais tímido. Por lá, foram conectadas 126 localidades rurais até este ano, segundo contabilizou a própria operadora.
A Vivo também é parceira do maior projeto do tipo no País, desenvolvido em Minas Gerais. Batizado de Minas Comunica, o projeto proporcionou a chegada do sinal móvel a 693 distritos.
Contactadas, apenas a Claro não retornou com informações sobre o desenvolvimento de projetos semelhantes pelo País. As demais operadoras (TIM e Oi) responderam afirmando não possuir nenhuma ação de levar sinal móvel a localidades distantes dos centros urbanos, atualmente.

Diário do Nordeste
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