Velho Rio Jacurutu

O município de Santa Quitéria é cortado pelo Rio Jacurutu e desde os primeiros relatos de povoamento dessa terra, ouve-se falar com exaltação desse bem ecológico. Em 1884, o historiador Antônio Bezerra, em visita, escreveu sobre a Vila de Santa Quitéria.
“Adiante notei que as margens do rio são revestidas de arbustos verdejantes, e que a água se encontra em todo o leito quase à flor da terra. Esta água pura, cristalina, passa com justa razão por ser a mais saborosa da Província, e de feito, á exceção da Serra grande, que não é menos na, nenhuma impressão mais agradável a paladar. Tive ocasião de experimentar por mim mesmo.” Notas de Viagem, Antônio Bezerra, 1965.
Nertan Macedo em seu livro “O Clã de Santa Quitéria” – 1980, também relatou:
“A pouca distância das suas nascentes, na Serra das Cobras, o Rio Jacurutu, afluente do Acaraú, faz uma curva graciosa, em meio a qual emerge a cidadezinha de Santa Quitéria, nos sertões do norte do Ceará, dilatados a sombra do paredão da Ibiapaba. (...) Puríssima é a água que corre no leito do Jacurutu, conhecida em todo o Ceará como “água de Santa Quitéria”, famosa pela sua frescura, leveza e limpidez. Dizem que quem toma a água do Jacurutu nunca mais deixa a cidade de Santa Quitéria.”
Afluente do Rio Acaraú, o Rio Jacurutu valorizava as terras, deixando-as favoráveis para a criação de gado e, a partir daí desenvolveu-se o povoado que deu origem a atual Santa Quitéria.
A cidade cresceu, a zona urbana desenvolveu-se e o Rio ainda resiste em meio à cidade, porém bem menos belo e com águas bem menos cristalinas do que um dia já foi.
Estamos sempre sendo alertados sobre a importância da preservação do meio ambiente, mas mesmo assim presenciamos a degradação do Rio, que muitas vezes, recebe em seu leito esgoto e entulhos que contribuem para o assoreamento do mesmo e surgimento de insetos e animais que podem transmitir doenças. O assoreamento, ou seja, acúmulo de sedimentos na calha do rio, também pode ocasionar enchentes e alagamentos.
Nos períodos de cheia, o Rio virava atração na cidade, com sua forte correnteza cortando as pontes que ligam os bairros Centro/Pereiros e Centro/Flores. Mas com a pouca incidência de chuva nos últimos anos, notamos o avanço de construções e depósito de lixo às margens do Rio tornando-o cada vez mais raso e dando a impressão que o mesmo está desaparecendo.
A Lei Orgânica do Município de Santa Quitéria diz que cabe ao Município a “proibição do lançamento de resíduos industriais, agroindustriais, hospitalares, ou residuais em rios, riachos, córregos ou grotas, localizadas no Município sem tratamento prévio com resultados dentro do previsto pelas resoluções do CONAMA e portarias FUNASA” (Lei Orgânica do Município, Capítulo VII, Seção I, Art. 180). O Código Florestal determina que deva existir uma faixa de proteção das margens de rios, de no mínimo de 5 metros, independentemente da largura do rio, a até 100 m, com a extensão correspondente à metade da largura do curso d'água.
Mas só a existência das leis não garante que elas sejam cumpridas, é preciso que exista fiscalização por parte de órgãos competentes e pela população.
O rio, assim como toda a natureza é criação de Deus e cabe a nós, cuidar e preservar do que por ele foi feito. Quando cuidamos dos bens naturais, estamos cuidando também de nós, pois muitos são os malefícios causados pela degradação do meio ambiente.
Que sejamos pessoas conscientes e façamos nossa parte, ensinando também nossas crianças que cuidar da natureza é preciso. É garantia de um futuro melhor.

Reportagem publicada na 2ª edição do Jornal Kairós, produzido pela Pastoral da Comunicação  - Paróquia de Santa Quitéria.
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