Festival Jazz e Blues promove mistura de sons em Guaramiranga

Em diferentes pontos de Guaramiranga, é perceptível como a música se torna um referencial máximo. A cidade localizada no Maciço de Baturité transitou sob as bênçãos do Jazz & Blues e, para deleite dos aficionados por estes gêneros, a jornada de quatro dias de evento tornou-se marco cativo no calendário.
Pelas ruas, o vai e vem de pessoas revelava diferentes tipos. Dos colecionadores e estudiosos do som aos curiosos de plantão, passando por músicos calejados e amadores, toda esta dimensão tinha como linguagem universal o apreço pela observação de algum show. Além do clima característico do lugar, o Festival também é capaz de interferir nas pessoas.
Realizado entre os dias 25 e 28 de fevereiro (e, mais tarde, de 2 a 5 de março, em Fortaleza), o Festival Jazz & Blues consolidou sua 18ª edição e se firma cada vez mais na agenda cultural brasileira. Dotado de vida própria, o evento está bem longe de apenas constituir uma "alternativa" ao Carnaval.
O ritmo de trabalho de músicos e profissionais responsáveis pela produção foi constante. Ao todo, atividades que incluíram shows, ensaios abertos, debates, cortejo e até apresentações de teatro infantil foram alicerces cativantes. Em cada esquina, era como se visitantes guardassem para si a responsabilidade de construir, todos juntos, o evento.

Diversidade
A programação reuniu nomes consagrados, figuras já conhecidas de jornadas anteriores do Festival e também novas apostas para o futuro. Da popularidade radiofônica de Jorge Vercillo ao universo do festejado compositor pernambucano Moacir Santos (1926- 2006), a festa de sons e ritmos trouxe momentos com lugar cativo na memória.
No primeiro dia de atividades, o teste de fogo foi organizar e checar todos os últimos detalhes para que tudo corresse da melhor forma. Os ingressos simplesmente voaram e o sábado gordo de Carnaval foi intenso.
A força emotiva do violonista cearense Nonato Luiz abriu os trabalhos. Em seguida, foi a vez da Big Band Unifor desfilar sucessos inesquecíveis e a paixão por Frank Sinatra foi um ponto alto. Cleiva Paiva trouxe o Nordeste ao palco - em especial o Cariri - e foi pura poesia.
O carioca Vercillo explicou no palco as razões de duas décadas de sucesso ininterrupto. Na sequência, um tributo a Bob Dylan atingiu a façanha de agrupar nomes fervorosos da cena local alencarina: Felipe Cazaux, Nayra Costa e Nigroover. Um feito e tanto.

Opções
Para o domingo (26), o cardápio era de música instrumental. Quartabê trouxe cores, carisma e vanguarda ao evento. Saxofone e guitarra tiveram como sinônimo Bob Mesquita e Hermano Faltz, respectivamente. Se ambos representaram a noite - um cenário de ruas tomadas por fumaça, neon e o jazz -, Marco Pereira e Toninho Ferragutti soaram outonais. Violão e sanfona. Casamento do sol com a chuva.
Para o terceiro dia, a receita de carinho foi dada pelo público, que compareceu em maior número que no dia anterior. O ineditismo do jazz cigano ganhou corpo com o show "Jazz Cigano - Tributo a Django Reinhardt". Em cena, o ritmo quente e malicioso de um dos maiores nomes das cordas. Um artista capaz de redefinir gerações de realizadores ao longo dos anos.
Os cearenses Michael Pipoquinha (baixista) e Denilson Lopes (bateria) mostraram que os instrumentos dominados por eles são capazes, sim, de prender as atenções de um Festival. Para quem presenciou o show, foi uma verdadeira "aula" de como construir uma apresentação.
Os instrumentistas Fernando Melo e Luiz Bueno, donos do Duofel, uniram-se ao mago Carlos Malta e ao lendário percussionista Robertinho Silva e criaram um jogo sonoro único. Marcaram seus nomes, dessa vez, em quarteto na história de Guaramiranga. Um encontro com carisma, coração e força sonora.

Prorrogação
Nos próximos dias, toda essa magia sonora invade Fortaleza, com muitas das atrações que se apresentaram em Guaramiranga. O shows estarão concentrados no Cineteatro São Luiz e Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).
Entre os destaques estão o guitarrista, cantor e compositor americano Corey Harris; o paulista Adriano Grineberg, que volta ao Festival, dessa vez com a cantora Ana Cañas e o percussionista e compositor senegalês Mamour Ba.
Próximo de atingir duas décadas de vida, o Festival Jazz & Blues pavimentou sua presença na história da cultura cearense e constitui uma espécie de patrimônio da região onde está inserido. Com uma trajetória marcada pela diversidade e difusão da música, outra vitória do evento é reunir diferentes criaturas na paixão pela música de excelência.

Diário do Nordeste
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