Janot acusa Gilmar de sofrer de "decrepitude moral" e "disenteria verbal"

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reagiu com pesadas críticas nesta quarta-feira, 22, a acusações feitas nesta terça pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após o magistrado acusar a PGR de vazar dados de investigações à imprensa, Janot sugeriu – sem citar Mendes – que ideia só poderia vir de “mentes ociosas e dadas a devaneios” e ao “servilismo”.
“Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder político. E repudiamos a relação promíscua com a imprensa”, disse Janot. “Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar a todos à sua decrepitude moral, e para isso acusam-nos de condutas que lhe são próprias”.
Apesar de não citar diretamente o ministro do STF, fala de Janot tem sinais claros sobre o alvo da mensagem. Na semana passada, Gilmar Mendes se reuniu diversas vezes com o presidente Michel Temer (PMDB) e cúpula do governo para debater reforma política. Um dos encontros ocorreu em jantar promovido pelo ministro em sua residência.
“Infelizmente, precisamos reconhecer que sempre houve, na história da humanidade, homens dispostos a sacrificar seus compromissos éticos no altar da vaidade desmedida e da ambição”, disse Janot. “Esses não hesitam em violar o dever de imparcialidade ou em macular o decoro do cargo  que exercem; na sofreguidão por reconhecimento e afago dos poderosos de plantão, perdem o referencial de decência e de retidão”, conclui.

“Acima da lei”
Na terça-feira, durante evento da Câmara, Gilmar ainda acusou a PGR de se julgar “acima da lei” e de fazer “coletiva em off” para repassar nomes da lista da Odebrecht para jornalistas. “Uma mentira que beira a irresponsabilidade”, rebateu Janot. O procurador destacou que críticos utilizariam da “aparente intangibilidade da posição que ocupam” para atacar a PGR.

Redação Web
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