Oito rios do Ceará estão com uso comprometido

Oito rios cearenses tiveram a qualidade de suas águas avaliadas como regular ou ruim no monitoramento "Observando os Rios 2017", publicado ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica. A partir de coletas mensais realizadas entre março do ano passado e fevereiro de 2017, a entidade classificou a situação de 184 mananciais do País, dentre eles os rios Cocó, Ceará, Pacoti, Maranguapinho e Siupé; os riachos Maceió e Parreão; e o açude Santo Anastácio.
Segundo o documento, os reservatórios do Estado apresentaram consideráveis níveis de poluição e estão com uso parcial ou inteiramente comprometido. De acordo com a análise da água, a entidade classifica a qualidade como ótima, boa, regular, ruim ou péssima. São examinados itens como temperatura da água, turbidez, espuma, lixo flutuante, odor, material sedimentável e coliformes totais.
No Ceará, a pior situação foi encontrada no Rio Maranguapinho. A água de dois postos de coleta na Capital, situados no bairro Siqueira e na Avenida Mister Hull, recebeu a classificação ruim. "A classificação ruim significa que as águas estão com carga bastante elevada de material orgânico. Isso está associado, em grande parte, com despejo de esgoto", explica César Pergoraro, um dos responsáveis pelo estudo. "A bacia do Maranguapinho apresentou qualidade bastante comprometida durante todo o período de coleta, demonstrando que aquela área tem, de fato, situação de saneamento básico extremamente precária".
Ainda em Fortaleza, foram analisadas amostras de dois trechos do Rio Cocó, um do rio Ceará, um do Riacho Maceió, um do Riacho Parreão e um do açude Santo Anastácio. Todos foram classificados como de qualidade regular. As águas do Rio Pacoti, no Eusébio; do Rio Suipé, em Paracuru; e de um trecho do Cocó, em Pacatuba, ficaram na mesma categoria.

Prejuízos
"Os rios com águas de qualidade ruim são bastante comprometidos e oferecem risco. Os regulares ainda são passíveis de tratamento para que possam ser usados, mas isso não quer dizer que eles estão bons. Eles estão agonizando, pedindo ajuda", afirma Pergoraro. Ele ressaltou que as principais fontes poluidoras dos mananciais são efluentes e resíduos gerados em áreas urbanas com baixa taxa de cobertura de saneamento básico.
Em nota, a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma) informou que realiza o monitoramento dos principais recursos hídricos da Cidade, com exceção do Rio Cocó, que é acompanhado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). O órgão municipal ressaltou que o combate à poluição é um dos focos do Programa Águas da Cidades. Uma das medidas é a fiscalizar ligações clandestinas de esgoto. Em 2016, conforme a pasta, houve 1.746 autuações em virtude da prática. A reportagem procurou a Semace e a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) em busca de informações sobre o monitoramento dos outros mananciais citados no estudo, mas não obteve resposta.

Diário do Nordeste
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