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Renan ataca influência de Cunha em nomeações de Temer: ‘Essa gente vai avançar sobre o partido’

Em almoço com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, o líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), reagiu duramente ao que chama de tomada do governo pelo núcleo político ligado ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Insinuando que o presidente Michel Temer está sendo chantageado, Renan acusou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da comissão da Reforma da Previdência, de ser o porta-voz de Cunha no Planalto e de ter negociado as nomeações do deputado André Moura (PSC-SE) à liderança do governo no Congresso, de Osmar Serraglio para o ministério da Justiça e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para a liderança do governo na Câmara.
O assunto foi discutido na noite de terça-feira em reunião de Renan com a bancada do Senado, junto com o presidente do partido, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado. O motivo da ira de Renan foi a apresentação de uma carta assinada por Marun e mais três parlamentares pedindo o afastamento de envolvidos na Lava-Jato de cargos de direção do PMDB. A medida afastaria Jucá da presidência do partido. O PMDB cancelou a reunião da Executiva desta quarta-feira.
— Há 20 dias, o juiz Sérgio Moro foi solidário com Temer, dizendo que ele estava sendo chantageado e vetando as perguntas de Cunha ao presidente — disse Renan, completando. — Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo. Os sinais são, de um lado o fortalecimento do PSDB, que é legítimo porque faz uma sustentação importante no governo, e de outro, o fortalecimento do grupo originário da Câmara ligado a Cunha.

Renan: “Padilha tem que voltar logo”
Agora, diz Renan, o próximo passo do grupo liderando por Cunha seria colocar seu ex-advogado e atual sub-chefe de assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, como ministro da Casa Civil no lugar de Eliseu Padilha. Rocha já advogou para Eduardo Cunha.
— Eu disse ao Moreira: fala com o Padilha para voltar imediatamente porque senão o Eduardo Cunha senta lá na cadeira dele o Gustavo Rocha. O Padilha tem que voltar logo, já está sarado — reclamou Renan.
Renan se irritou com a iniciativa de Marun, que encaminhou a carta à direção do partido, pedindo uma reunião da Executiva para analisar uma moção de afastamento dos indiciados na Operação Lava-Jato.

“Imagina o PMDB ser comandado pelo Marum?”
Renan acredita que o encontro de Marum com Eduardo Cunha, no presídio em Curitiba, no mês de março, levou às indicações de Temer, em privilégio de pessoas ligadas ao ex-presidente da Câmara.
— Depois de avançar no governo, essa gente vai avançar sobre o partido. O partido é a próxima etapa. Essa carta do Marun veio depois da conversa que ele teve lá com o Cunha em Curitiba e agora age como seu porta-voz. Isso é tão óbvio! Imagina, o PMDB, que tem um papel histórico, ser comandado pelo Marun? — acusou Renan.

“Prefiro PSDB do que Cunha”
Citando o ex-presidente argentino Juan Domingo Perón, Renan disse que a política não se aprende, a política se compreende pelos sinais que ele emite.
— Nessa disputa entre o PSDB e o PMDB do Eduardo Cunha pelo comando do governo, nós somos radicalmente a favor do PSDB. Eu prefiro um governo formado pelo PSDB do que pelo Eduardo Cunha. Eu inclusive já defendi um espaço maior para o PSDB — disse Renan, elogiando as indicações dos tucanos, especialmente Aloysio Nunes Ferreira para o Ministério das Relações Exteriores.
— Eu estou analisando esses sinais. Não é uma ala do PMDB da Câmara, é uma liderança, uma orientação. O Marun foi lá no Paraná em dezembro, agora temos o avanço dele como porta-voz de Cunha, o Moro defendendo o Temer de chantagens. Ele não percebeu que o PMDB está sendo comandado pelo Marun? Temos a volta do André Moura, a ida do Osmar Serraglio para a Justiça. Imagina, em que outra circunstância o Osmar seria ministro da Justiça? — continuou Renan.
Renan disse que fez essa avaliação para o ministro Moreira Franco. E afirmou que Temer tem tomado decisões equivocadas:
— O Temer, se não compreender dessa forma, é porque não está entendendo os sinais pelas decisões que tomou, está equivocado pelas decisões que tomou.

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