#01 Surgimento do município de Santa Quitéria

Arquivo: Professor Humberto Sales
Por voltado ano de 1683, o Pernambucano Manuel de Goes e outros seis viajantes chegaram à foz do Rio Acaraú. Uma vez exploradas as margens do Acaraú, descobriu-se que não se tratava apenas de um rio, mas de uma considerável bacia hidrográfica com 14 fluentes e inúmeros pequenos córregos (grotas), sendo estes locais propícios para criação de gado Vacum, que se limitava a faixa litorânea. Por estas terras incultas.
Por outro lado vaqueiros baianos e pernambucanos adentravam no  território cearense através do Piauí subindo o Rio Parnaíba e na própria Bahia explorando o Rio São Francisco. A convergência dos caminhos do gado Sertão adentro.
Deu origem a várias cidades cearense, inclusive Santa Quitéria. O colono conduzia o boi, mas este era também um fixador, e em muitos casos um alargador de áreas geográficas, caçando pontos de invernadas, os vaqueiros se surpreendiam com paisagens novas, dentre as quais merecem destaque as grandes planas denominadas de tabuleiros praticamente dominam a paisagem, o que provavelmente favoreceu implantação da pecuária extensiva a nível regional.
As terras hoje pertencentes ao atual município de Santa Quitéria foram entregues inicialmente através de (Carta de Sesmaria), por volta de 1730 ao Senhor José Miguel Machado Freire, juntamente com seu irmão João Machado Freire que obtiveram através deste documento o direito de explorar a ribeira do Rio Groaíras pelos irmãos Machado Freire. Há indícios que eles tenham sitiado uma considerável porção de terras próxima ao atual povoado do Riacho das Pedras. Entretanto há controvérsias sobre a ocupação ou não da ribeira do Groaíras.
Coube a João Pinto de Mesquita e Souza, natural de Braga, província do Minho em Portugal e colonização das terras, mediante Carta de sesmaria datada de 1732, caberia a este determinado forasteiro sitiar a Ribeira do Rio Jacurutu numa extensão de 120 km. A despeito da sazonalidade do clima, permeado por poucos períodos chuvosos e prolongadas estiagens e iminente confronto com os indos semi-nômades que constantemente cruzavam as terras pertencentes ao sesmeiro rumo a Serra da Ipiapaba ou ao Litoral.
João Pinto de Mesquita e Souza não foi apenas mais um aventureiro a vir para o Brasil – colônia em busca de riquezas e em seguida pegar o caminho de volto. Sua chegada ao Brasil, segundo revela Nertan Macedo em “ O Clã de Santa Quitéria” aconteceu em 1724, tendo se casado dois anos mais tarde com Thereza Rodrigues de Oliveira Magalhães, com quem teve 11 filhos que mais tarde se tornaram herdeiros das terras localizadas ao longo do Jacurutu, cuja denominação se deu por causa da grande existência de corujas pretas de papo amarelo com procedência etimológica indígena. Português de origem adotou estas terras como sua nova pátria e implantou fazendas para criação de gado ao passo que expandia sua influência política na região, tendo recebido a patente de Capitã Mor, posto de grande destaque entre os proprietários que cercavam.
Estes dados estão contidos em uma palestra proferida pelo Professor Fernando Araújo.

Continuamos na próxima semana!

Cel. Mauro Mororó é aposentado da Aeronáutica, escritor, historiador e colunista do portal A Voz de Santa Quitéria.
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