Atenções estão voltadas para unidades prisionais

Diante do caos instalado nas ruas da Capital e Região Metropolitana de Fortaleza por dois dias seguidos, as atenções se voltaram para o sistema penitenciário do Ceará, de onde estariam partindo as ordens para os ataques a ônibus, veículos oficiais, prédios públicos e particulares. A secretária da justiça, Socorro França, disse não acreditar na participação de internos nos ataques. Já, na opinião do presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Cláudio Justa, e de fontes da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ouvidas pela reportagem, os detentos estariam orquestrando as ações com o apoio de bandidos nas ruas.
A titular da Sejus é taxativa ao afirmar que "devem existir outros motivos por trás desses ataques. Não acredito que a transferência de 360 presos tenha resultado nessa sequência de ônibus incendiados. Em janeiro deste ano, fizemos a movimentação de 4 mil internos e não houve nada disso", explica. Uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse desconhecer outros motivos para os ataques que não sejam as transferências dos presos realizadas pela secretaria de justiça nos últimos dias.
Socorro França disse que até o momento está tudo dentro do controle nas unidades prisionais. "não houve quebradeira e estamos traçando estratégias para manter a normalidade. Estive hoje em duas unidades e sei que o sistema é tensionado, mas o que posso garantir é que hoje está tudo calmo. Um dos nossos maiores trabalhos é movimentar os internos", explicou.
A secretária da Justiça salienta que as transferências estão amparadas pela Lei de Execução Penal (lep) e têm sido feitas com o objetivo de garantir a tranquilidade no sistema e salvar vidas, no caso de presos ameaçados. Socorro frança adianta que a situação tende a melhorar com a entrega de 2.800 vagas.
O presidente do Conselho Penitenciário Cláudio Justa, por sua vez, disse que as transferências revelam o grau do conflito das facções dentro dos presídios. "O cenário da primeira transferência feita em janeiro era um. Agora é outro", considerou. Para Justa, o que a sejus está fazendo é tratando a consequência e não o problema. "Quando você faz esse remanejamento e os presos vão para a tranca (confinados nas celas), eles reagem. Na transferência anterior, feita em janeiro, eles ficavam soltos nas vivências. Agora, estão todos juntos em celas com média de 12 pessoas com capacidade para seis. A repercussão interna é a reclamação da opressão e a externa são os ataques".
O presidente do copen disse que as autoridades de segurança não devem minimizar a situação. "Nós do copen não queremos o pânico, mas não dá para minimizar ocorrências como essas. A cidade está sob um clima de insegurança e não sabe qual a origem. A origem é a guerra de facções que não foi trabalhada nem no campo externo, nem no interno com as separações da Sejus. O controle interno incomoda às facções. O problema externo é de âmbito mais nacional que determina um racha de facções, envolve o crime organizado e seus tentáculos dentro e fora da cadeia".

Diário do Nordeste
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