Ceará receberá R$ 8,4 mi para novos centros de tratamento

A fim de garantir assistência às crianças com microcefalia em decorrência do vírus zika, o Ministério da Saúde anunciou o envio de R$8,4 milhões para o custeio de cinco Centros Especializados em Reabilitação (CER) existentes no Ceará. Os equipamentos, abertos desde outubro do ano passado em Fortaleza, Barbalha, Pacajus, Caucaia e Sobral, ofertam assistência integral e gratuita às crianças com síndrome congênita da zika, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os recursos foram anunciados pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 3º Encontro Nacional de Especialistas em Zika e doenças correlatas (Renezika), que aconteceu em Brasília nos dias 29 e 30 de março. Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, Barros ressaltou a importância da inserção dos novos centros no tratamento à microcefalia. "Esses centros são unidades de saúde totalmente especializadas em reabilitação, com foco na assistência às crianças com a síndrome congênita da zika, enquanto os hospitais atendem também outras áreas de saúde".
De acordo com o ministro, o Governo Federal está liberando, no total, R$135,2 milhões para a abertura de novos serviços de saúde, dos quais R$125,2 milhões serão voltados aos novos Centros de Reabilitação em outras cidades brasileiras.
A escolha da alocação de cinco dos novos equipamentos no Ceará está relacionada também às análises da Sala Nacional de Coordenação, criada em 2015 pelo Ministério da Saúde, bem como das 27 Salas Estaduais e 2.029 Salas Municipais, que gerenciam e monitoram as iniciativas de mobilização e combate ao mosquito Aedes aegypti, assim como à execução do Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia em todo o Brasil, conforme esclarece Ricardo Barros. "Mapeamos as áreas que deveriam ser priorizadas, nesse primeiro momento, e entre elas está o Estado do Ceará. O objetivo é prevenção e promoção de ações para evitar novos casos e tratar de forma mais efetiva os que já existem", pontua.

Equipes
Barros destacou ainda que as novas unidades especializadas com equipes multidisciplinares reforçam o atendimento para que o Estado tenha condições de combater possíveis surtos e gerenciar a atual demanda. O último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), em 24 de fevereiro, enumerava 159 casos confirmados de crianças nascidas com síndrome congênita associada ao vírus Zika.
O custeio dos CERs será garantido pelos R$114,3 milhões repassados anualmente pelo Ministério da Saúde, como aponta o gestor da Pasta. "Se houver necessidade, as gestões locais (estado e município) terão que completar com recursos próprios, tendo em vista que a gestão do SUS é descentralizada, conforme determina a Constituição Federal".

Pesquisa
O ministro da Saúde divulgou ainda uma verba de R$10,9 milhões que serão utilizados para a reforçar o programa Saúde da Família, com a inserção de 51 novas equipes compostas por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Outros R$10 milhões serão utilizados em pesquisas e na criação de biobanco nacional para amostras sobre doenças causadas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e febre chikungunya.
"Os R$10 milhões serão destinados aos pesquisadores da Rede Nacional de Especialistas em Zika e doenças correlatas (Renezika), que conta com estudiosos de diversas instituições educacionais, e também para a criação de um biobanco que permitirá análises futuras com o material coletado. Ainda serão definidas prioridades de pesquisas relacionadas à Chikungunya, com previsão de um estudo de abrangência nacional. É importante salientarmos que o Governo já destinou mais de R$ 250 milhões no financiamento de estudos relacionados às três doenças causadas pelo Aedes", disse Barros.

Diário do Nordeste
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