Conselho diz que Estado se curvou às facções; Sejus nega

Cessaram os ataques criminosos. Hoje é terceiro dia de uma aparente calmaria nas vias públicas do Estado, sem coletivos e prédios públicos depredados, mas resta um questionamento: o que foi feito para os criminosos suspenderem as provocações ao Governo? Representantes de entidades ligadas ao Sistema Penitenciário dizem que o Estado cedeu às exigências das facções, mas a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) nega.
Diante da falta de vagas no Sistema Penitenciário superlotado do Ceará, as facções querem ser alocadas por afinidade. Os Guardiões do Estado (GDE), que assumem a autoria dos quatro dias de ataque que pararam Fortaleza, estão brigados com o Comando Vermelho e a Família do Norte (FDN), por isso querem ficar separados em uma penitenciária, ou serem alocados em unidades dominadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para o presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen), Cláudio Justa, houve um acato às demandas dos detentos, expostas em cartas deixadas nos ônibus queimados. "O Estado se curvou à realidade das unidades prisionais e teve que conversar com as facções".
Justa conta que o Conselho foi informado sobre um remanejamento de detentos, no último fim de semana, a fim de impedir derramamento de sangue no interior das unidades prisionais. Conforme o presidente do Copen, o Ministério Público do Estado (MPCE) "acompanhou e negociou declarações de quais detentos são de facções contrárias para evitar um confronto".
Cláudio Justa considera que a partir do momento em que o Estado conversou com os criminosos, no intuito de atender demandas, foi revelada uma fragilidade. "O Estado mostrou que não tem condição de fazer uma custódia adequada", afirmou.
Os relatos dos detentos mostram insatisfação constante com o tratamento nas unidades. Os presos dizem ao Conselho que acontecem espancamento provenientes de uma equipe militarizada de agentes penitenciários preparada para intervir em rebeliões. "As famílias e os detentos falam que há opressão e maus- tratos. O Conselho sabe que há consonância com a realidade. Nas celas, o espaço é para seis e, muitas vezes, tem 13, 14. Eles querem sair dessas celas e retornar às vivências porque lá se sentem no controle das unidades", reiterou Cláudio Justa.

Diário do Nordeste
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