Cresce total de pacientes em corredores em hospitais

Há pouco mais de dois anos, o Sindicato dos Médicos do Ceará iniciava a contagem de pacientes que, sem leitos suficientes nos hospitais públicos, eram atendidos nos corredores das unidades de saúde. Nos números reunidos pelo sindicato, no dia 21 de abril de 2015 — primeiro da medição do intitulado “corredômetro” — eram 246 pacientes extra-leito. Passados dois anos, o número aumentou.
Antes diário e agora feito mensalmente, o mais recente levantamento, de 31 de março, aponta que eram 345 pessoas fora de leitos regulares no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Instituto Dr. José Frota (IJF), Hospital de Messejana, Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) e Hospital São José.
Para marcar a data e pedir resolução da situação que, conforme a categoria, permanece grave, foi realizado ontem ato na Praça do Ferreira, no Centro. “Para nossa tristeza, são dois anos cobrando das autoridades, e este cenário tão trágico nada mudou. Estamos hoje com cerca de 300, 350 pessoas diariamente sendo atendidas fora de leitos”, apontou a presidente do Sindicato dos Médicos, Mayra Pinheiro.
De acordo com a médica, um dos fatores é a redução de vagas de leitos. Ela toma por base números do Conselho Federal de Medicina, que apontam uma redução de leitos entre 2010 e 2015, acarretada, no Ceará, principalmente pelo fim de contratos do Sistema Único de Saúde (SUS) com hospitais particulares. “A situação é agravada ainda pelo aumento da demanda de gente que está deixando os planos de saúde e indo buscar atendimento na rede pública, devido à crise”, afirma.
Com acompanhamento também feito pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Mayra aponta que, muitas vezes, os dados do sindicato e do Estado não são os mesmos porque há hospitais em que pacientes são colocados “aglomerados” em quartos, para serem retirados dos corredores.
“Quando se tem um quarto em que deveriam ser atendidos seis pacientes e tem 16 isso não é regular e aumenta os riscos de infecções hospitalares — que é hoje um fator importante das taxas altas de mortalidade institucional hospitalar no Estado”, aponta.

Sesa
A Sesa informou, por meio de assessoria de imprensa, que “os hospitais da rede estadual tiveram um acréscimo de 1.203 leitos de 2006 a 2016”, impulsionado pela criação de hospitais regionais. A secretaria aponta que o crescimento chega a 69,86% no período, contabilizando 2.925 leitos, sendo 285 em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
A Sesa, no entanto, não detalhou a perda de leitos de atendimento público conveniados na rede particular. A assessoria detalhou, ainda, que, em hospitais como o HGF, o funcionamento é feito “com porta aberta para recebimento de pacientes”, ou seja, o paciente não retornaria sem atendimento.
Já o IJF afirmou que o problema histórico da alta demanda do hospital deve ser solucionado como IJF 2, que está com 14% das obras concluídas.

Saiba mais
No último dia 31 de março, eram 79 pacientes nos corredores do IJF, 124 no HGF, 82 no HM, 55 no Hias e 5 no HSJ, totalizando 345. Há ainda, este ano, a contabilização de 34 pacientes nos corredores do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM) - retirado do total para critério de comparação.

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