Lula diz ver espaço para diálogo com FHC, mas refuta conversa com Temer

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira (26) um aceno público em direção à abertura de diálogo com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu antecessor no Palácio do Planalto.
"Eu fiquei muito agradecido quando ele foi me visitar no hospital, foi visitar a dona Marisa, e acho que há um espaço para conversar sobre reforma política e também discutir sobre economia, não tem problema", afirmou em entrevista ao SBT.
Lula refutou, no entanto, a possibilidade de aproximação com o presidente Michel Temer (PMDB). Disse que, "sinceramente", não tem interesse em conversar com ele. "A forma como ele chegou ao governo não condiz, inclusive, com as conversas que tive com ele."
Desde a visita de FHC e Temer ao petista durante o período em que a ex-primeira dama Marisa Letícia estava internada, em fevereiro deste ano, auxiliares do trio tratam da possibilidade de conversas, principalmente em torno da reforma política.
Na entrevista, o petista disse também que não vai fazer "nenhum acordo sobre a Lava-Jato". "Se tiver de ter reunião entre os políticos, tem de ser os presidentes dos partidos que puxem, é para discutir reforma política"
Se o País continuar com essa lógica de "desmoralização dos partidos", segue Lula, o caminho é "fascismo e nazismo".
Ainda sobre Temer, Lula disse que ele "deveria ter dito 'não'" à possibilidade de assumir o Executivo depois do impeachment de Dilma Rousseff.
"Um senhor de 76 anos, jurista respeitado, poderia ter dito: 'Não quero o Poder pela via do golpe'. Ele era vice-presidente, teoricamente chefe do [Eduardo] Cunha. Faltou compromisso com Dilma e com a democracia. Ele sabe que isso tem um preço e ele vai pagar o preço por isso."

Diário do Nordeste
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