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Teste encontra bactérias em 8 de 302 amostras de carne de frigoríficos

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou nesta quinta-feira (6) que foram encontradas bactérias que podem causar "algum problema de saúde pública" em oito das 302 amostras de carne recolhidas nos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca.
Novacki informou ainda que foram encontradas irregularidades "de ordem econômica" em outras 31 amostras, como a presença de ácido sórbico em linguiças e salsichas e excesso de água em carne de frango.
As oito amostras reprovadas são de produtos dos frigoríficos Transmeat e Frigosantos, informou Novacki. De acordo com ele, foi verificada a presença de Salmonella em sete amostras de hambúrguer do Transmeat, vendida sob a marca Novilho Nobre e SIF (registro) 4644.
Já em uma amostra de linguiça cozida do Frigosantos foi encontrado Estafilococos. O produto é vendido sob o SIF 2021. Segundo Novacki, a bactéria pode causar diarreia.
"Mas é importante dizer que o ministério não recebeu nenhuma notificação de problemas de saúde [causados por carne contaminada]", afirmou.
Segundo o secretário, esses produtos foram retirados do mercado e descartados.
Novacki anunciou ainda que o ministério abriu processo para cancelar o registro, conhecido como SIF, de três frigoríficos: dois da Peccin (SIFs 825 e 2155), em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR), e um da Central de Carnes (SIF 3796), em Colombo (PR).
Entretanto, ele não informou o motivo da abertura do processo contra esses frigoríficos.

Problemas em outras 31 amostras
Outras 31 amostras indicaram o que o secretário-executivo chamou de "problemas de ordem econômica" e que, segundo ele, não colocam em risco a saúde pública.
Os problemas foram encontrados em produtos dos frigoríficos Souza Ramos, Peccin, BRF e Frango DM, entre eles:
  • Presença de ácido sórbico, um tipo de conservante, em linguiças e salsichas, o que é proibido
  • Excesso de amido em salsicha
  • Excesso de água em frango

O excesso de água foi encontrado em amostras de frango das unidades da BRF em Mineiros (GO) e da Frango DM em Arapongas (PR). O ácido sórbico foi encontrado em produtos do frigorífico Souza Ramos e o excesso de amido foi identificado nos produtos da Peccin e da Souza Ramos.
De acordo com Novacki, as amostras estão retidas.

O que dizem as empresas?
Em nota, a Frigosantos disse não ter sido "autuada ou notificada acerca de qualquer irregularidade em seus produtos, ou mesmo interditada". Afirmou ainda que "sua produção é fundada nos mais rigorosos controles de qualidade e higiene".
"É direito da empresa apresentar contraprova em relação às análises de seus produtos, sob pena de violação a seu direito de ampla defesa e contraditório, sendo certo que, caso receba algum comunicado oficial, irá prontamente apresentar os meios de prova necessários à demonstração da idoneidade da Frigosantos", informou a empresa.
O escritório jurídico Elias Mattar Assad, que defende a Peccin, disse que "tal medida é mais um exagero descabido que marca essa operação policial [Carne Fraca]".
A BRF informou, em nota, que "alguns dos resultados nas análises de Drip Test, teste que mede o teor de água no descongelamento de carcaças de frango, realizadas pelo MAPA em frangos congelados produzidos em seis datas distintas na unidade de Mineiros (GO) foram divergentes dos resultados obtidos nos controles realizados diariamente dentro da unidade produtora."
"Cabe ressaltar que existem inúmeras variáveis que podem interferir nos resultados de Drip Tests realizados em frangos congelados coletados nos centros de distribuição, tais como condições de transporte e acondicionamento do frango assim como questões fisiológicas", diz a nota.
"A BRF já solicitou contraprova junto ao MAPA e está realizando uma verificação rigorosa nos seus controles de processo na fábrica e centros de distribuição. Até uma resposta definitiva, os produtos permanecerão retidos, apesar da inexistência de riscos à saúde do consumidor."

G1
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