Aécio teria pedido R$ 2 milhões a Joesley

Executivos do grupo J&F, proprietário da marca JBS, afirmam que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a um dos donos da empresa, Joesley Batista, para pagar sua defesa na Operação Lava-Jato.
Segundo os executivos da JBS, a quantia foi entregue a um primo do tucano, em ação filmada pela PF.
A gravação que supostamente compromete o senador Aécio Neves tem 30 minutos e foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Deve integrar acordo de delação premiada, que aguarda homologação do ministro do Supremo Edson Fachin. Segundo o jornal "O Globo", Aécio indicou um primo dele para receber o dinheiro.
A Polícia Federal filmou a entrega do dinheiro e rastreou a propina por meio de marcadores eletrônicos. O dinheiro teria sido depositado em uma empresa do também senador tucano Zezé Perrella.
A JBS esteve na mira de investigações da Polícia Federal em diferentes frentes desde 2016. Na sexta-feira (12), a PF deflagrou operação sobre supostas irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. O juiz responsável, Ricardo Leite, de Brasília, negou um pedido de prisão contra os donos da empresa.
Em janeiro, uma operação mirou o grupo ao apurar suspeitas de concessão de créditos pela Caixa Econômica.

Terremoto
O terremoto da delação da JBS atingiu de forma especialmente dura o PSDB. Líderes do partido ouvidos pela reportagem consideravam que a situação de Michel Temer estava se tornando "insustentável".
Tucanos já especulam quem poderia ser o nome numa eleição indireta, cujas regras ainda teriam de ser estipuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Essa pessoa deveria, na avaliação dos caciques, se comprometer com as reformas em curso no Congresso e com a transição até a eleição direta de 2018.

Renúncia
O deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), decano da Câmara, defende que Temer renuncie e abra caminho para novas eleições diretas.
Miro é autor de uma proposta de emenda à Constituição que prevê novas eleições em caso de vacância da Presidência. Pela regra atual, a substituição de Temer seria feita por eleição indireta, já que ele ultrapassou a metade do mandato.
"Diante de uma crise dessas proporções, é impensável o Brasil ter uma eleição indireta para presidente", disse Miro.
"Temer tem conhecimento jurídico para perceber que a permanência dele na Presidência será inútil", afirmou o deputado.
O deputado defendeu que o presidente busque uma "saída pacífica" para a crise.
"Se esta gravação tiver mesmo a voz do presidente, ele tem o dever de buscar uma substituição pacífica e planejada", afirmou Miro.
"O caminho é encurtar o mandato e convocar eleições diretas. É melhor que ele comande uma solução planejada de curto prazo que tranquilize o país".
Apesar de prever mais instabilidade, o deputado disse que o impasse deve reforçar a vitalidade das instituições.
"Em outros tempos, a aglomeração de políticos seria nas portas dos quartéis. Agora, não. Agora é no exame da Constituição".

Lava-Jato
O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da Lava-Jato, declarou, ontem, que a investigação faz "um trabalho sério desde o início de 2014".
"Enquanto não mudarmos a política e as leis processuais e penais, viveremos uma crise atrás de outra. Precisamos acreditar que é possível mudar", afirmou o procurador.
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