Em outubro, começa o prazo para a definição de Camilo

As definições quanto ao quadro sucessório estadual, assim como de resto as formações das chapas proporcionais e senatoriais, só começarão a surgir a partir de outubro, quando já estiverem oficialmente definidas as legislações eleitoral e partidária, um ano antes do dia da votação, 7 de outubro de 2018, o primeiro domingo daquele mês. Em dezembro deste ano, conforme está previsto, acontecerá a segunda e, provavelmente, a mais importante etapa para o pleito vindouro, que será a abertura da janela para os políticos trocarem de partido, com garantia de filiação partidária que os habilitem à disputa do voto.
A candidatura de Lula a presidente inviabiliza, por óbvio, a de Camilo pelo PT à reeleição com o apoio do PDT tendo Ciro Gomes na relação de postulante ao Poder Central. O governador tem a preferência de lideranças do PDT cearense de apoio à sua reeleição, mas quer reciprocidade.
No PT, com o partido tendo nome concorrendo à Presidência da República, Camilo sequer poderá citar o nome de Ciro nos palanques e no espaço da propaganda eleitoral de sua campanha. Ciro também tem o mesmo impedimento.
Camilo, pelas posições assumidas claramente, será eleitor de Ciro. Não há outra razão para ter o apoio do grupo que o levou à chefia do Poder Executivo estadual senão o de continuar junto ao mesmo.

Convenções
O desgaste do PT com as ações da Lava-Jato, aliado às restrições sofridas de parte do partido, ao longo dos últimos anos, motivam-no a buscar outro abrigo partidário dentro do arco de aliança a ser formado para sustentar a candidatura de Ciro. 
Tarefa um tanto quando difícil, principalmente pelo fato de as coligações só efetivamente se concretizarem nas convenções partidárias, provavelmente entre os meses de julho e agosto do próximo ano. 
Independentemente dos prazos para a oficialização das candidaturas e das coligações majoritárias, o momento significativo para Camilo, porém, será o ditado pela nova legislação, principalmente quanto à filiação partidária, posto não haver restrição para os detentores de mandatos executivos e de senador trocarem de partidos, como há para os demais legisladores, obrigados a aguardarem a tal “janela”, para buscarem nova sigla.
Camilo terá que ter sua filiação definitiva, para a disputa à reeleição, nove meses antes do pleito. Até lá, por certo, ele avaliará o melhor caminho a seguir para garantir sua postulação, no próximo ano, a um segundo mandato.

Lista e financiamento
No último sábado, no encontro estadual do PT, Camilo foi cobrado a se manifestar sobre a candidatura presidencial de Lula. Nada disse. Correligionários petistas, porém, foram explícitos ao condicionarem o seu direito de legenda para ser novamente candidato ao Governo a apoiar o nome de Lula, mesmo sabendo da sua preferência e as conveniências que encerram o processo de consolidação de sua postulação à reeleição.
Os poucos aliados do governador, que no seu partido defendem a chapa Lula presidente e Camilo governador, com ele continuando no partido, não votarão na convenção a favor da homologação do seu nome sem um anúncio público de renúncia à candidatura de Ciro, uma questão, ao tempo atual, dificílima.
Na próxima terça-feira, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados volta a discutir temas da Reforma Política. A lista dos partidos e o financiamento público da campanha estão no centro daquele encontro. Os dois estão intimamente relacionados. Os deputados da Comissão têm mantido contatos de assessoramento constantes com integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Habilitação
A preocupação é evitar grandes discordâncias dos temas em discussão. A alegação quanto à necessidade da lista, além do fortalecimento dos partidos, é a necessidade de compatibilização entre as candidaturas e os custos da eleição, hoje, sem qualquer dinheiro saído dos caixas das empresas de forma legal.
Há uma certa resistência, na Câmara, quanto à formação das listas partidárias, principalmente pelo fato de os partidos brasileiros, em expressiva quantidade, funcionarem de forma cartorial. Os donos mandam tudo.
Assim, a lista poderia ser composta como bem aprouver cada um deles. O relator, o deputado petista Vicente Cândido, sugere, no entanto, nesse particular, que a lista seja elaborada em “convenção, com a participação dos delegados do partido”, por “prévias, abertas a todos os filiados do partido” e, ainda, por “primárias, abertas a todos os eleitores que se inscreverem”.
Uma outra novidade em discussão é na parte referente aos registros das candidaturas. Pela proposta do relator, haveria uma habilitação prévia dos candidatos entre os meses de fevereiro e março do ano da eleição, que os pretensos postulantes pediriam à Justiça Eleitoral, permitindo que esta, ao tempo que os políticos pudessem fazer articulações, a Justiça tivesse condições de examinar detidamente os seus documentos, facilitando, dessa forma, o processo de registro dentro do prazo. 

Diário do Nordeste
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