Estado irá aportar R$ 32,35 mi para manter 'tatuzões'

Na esperança de que as obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza sejam retomadas no horizonte de cerca de dois anos, o governo do Estado irá investir US$ 8,76 milhões (aproximadamente R$ 27,35 milhões), provenientes do próprio Tesouro, para a renovação, preservação, montagem e extensão da garantia das quatro tuneladoras, popularmente conhecidas como "tatuzões", que havia comprado em 2012 para a construção da linha. Além disso, o Estado irá aportar outros R$ 5 milhões para melhorar a armazenagem dos equipamentos, o que totaliza R$ 32,35 milhões destinados às máquinas de escavação.
A responsável pelos trabalhos de revisão e montagem dos "tatuzões" é a Robbins Company, a mesma que vendeu os equipamentos ao Estado naquele ano por US$ 66,7 milhões (algo em torno de R$ 128,2 milhões à época). O montante também incluiu manutenções preventivas das máquinas, que foram realizadas pela empresa até o dia 18 de março de 2015.
Desde então, os equipamentos não recebem as atividades de preservação e sequer chegaram a ser montados e utilizados, por conta da paralisação das obras da Linha Leste. Entretanto, o secretário da Infraestrutura do Estado (Seinfra), Lúcio Gomes, diz que as tuneladoras estarão "como novas" após esses trabalhos da Robbins Company.

Atividades
Como parte da estratégia de preservação das tuneladoras, Gomes explica que a empresa as colocará mensalmente para "rodar a seco", ou seja, em superfície, sem que promovam as escavações, após revisá-las e montá-las. As atividades irão começar "imediatamente", segundo ele, e serão feitas durante oito meses para dois dos equipamentos.
Depois, os mesmos trabalhos serão realizados com os outros dois "tatuzões", também durante oito meses. "Além disso, teremos uma garantia estendida por mais 18 meses para cada um desses equipamentos", acrescenta.
O secretário ressalta que os R$ 27,35 milhões são de responsabilidade do consórcio que irá executar as obras da construção da Linha Leste. Assim, esses recursos serão ressarcidos aos cofres públicos durante as execuções. "Estamos antecipando um investimento que seria feito lá na frente, com a obra propriamente dita (da Linha Leste)", argumenta o titular da Seinfra.

Armazenamento
Já o investimento de R$ 5 milhões, para a melhoria das condições de armazenagem, será destinado pelo governo em um outro contrato, para vigilância, pavimentação e o fornecimento de quatro galpões, a serem erguidos onde as tuneladoras se encontram, próximo à estação Chico da Silva, no Centro.
O titular da Seinfra admite que as obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza estão "sem perspectiva de retomada no curto prazo", ressaltando que a União está travando R$ 1 bilhão que seria destinado à execução. Além disso, ainda resta o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) garantir o empréstimo de R$ 1 bilhão para a construção da linha. Os dois compromissos haviam sido firmados em 2013, durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
"Essa decisão que nós estamos tomando nos dá um horizonte de 26 meses para cada máquina. Se até lá as obras não retomarem - eu não sou pessimista assim, eu acho que até lá nós vamos conseguir, a situação do Brasil vai melhorar - nós já conseguimos assinar um compromisso com o fornecedor, de ele incluir essas máquinas no seu portfólio de novos negócios. Eles assumiram o compromisso de procurar revender essas máquinas para nós", salienta.
Com relação à parte do BNDES, o titular da Seinfra esteve reunido com representantes e diz que "eles, de fato, querem reavaliar o projeto. Querem discutir isso junto à Prefeitura de Fortaleza. E o que a Prefeitura tem, com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e com o próprio BNDES, é tudo conectado e complementar ao nosso projeto, que é um dos eixos do grande plano de mobilidade urbana de Fortaleza".
Já em relação à contrapartida do Estado - cerca de R$ 1 bilhão, na época do início das obras - Gomes diz que os recursos estão garantidos. "Se os R$ 2 bilhões vierem, nós vamos honrar nossa parte", diz o titular da Seinfra.

Empreendimento
Iniciadas em novembro de 2013, as obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza, que ligará o Centro ao bairro Edson Queiroz, estão paradas desde o início de 2015. Na época, a interrupção deu por conta da reformulação societária do consórcio Cetenco-Acciona. Em novembro de 2015, a Seinfra assinou um aditivo ao contrato original alterando a composição, que passou a incluir Marquise e Acciona, mas o novo consórcio foi questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Diário do Nordeste
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