JBS recebeu "aula de delação" antes de gravar conversa com Michel Temer

Advogado de confiança dos irmãos Joesley e Wesley Batista recebeu uma verdadeira "aula de delação" da Polícia Federal no último dia 20 de fevereiro, um dia após os dois empresários e proprietários da JBS decidirem que iriam confessar seus crimes e colaborar com a Justiça, segundo o jornal Folha de São Paulo. Com as informações, Joesley entrou no Palácio do Jaburu, duas semanas depois, com um gravador escondido no bolso para arrancar diálogos constrangedores que colocaram o mandato de Michel Temer por um fio. 
De acordo com o jornal, após entregar os áudios à Procuradoria-Geral, Joesley, Wesley e cinco executivos assinaram então um pré-acordo de delação. A partir daí, começariam oficialmente as "ações controladas", nas quais conversas e mensagens seriam monitoradas para engordar o arsenal dos Batista. O senador Aécio Neves (PSDB) foi outro que caiu na armadilha ao ser flagrado pedindo dinheiro. No total, a delação da JBS envolve 1.829 políticos do país, incluindo cearenses.
Joesley demonstrou sangue frio ao gravar os políticos. Ele foi o escolhido porque tratava pessoalmente das propinas, com auxílio de um funcionário fiel, Ricardo Saud, também delator. O empresário chegou a dar entrevista dizendo que estava perplexo com a corrupção que via na TV e que não tinha feito nada de errado. Segundo a Folha de São Paulo, as entrevistas faziam parte do plano. Ele queria sinalizar aos políticos que não cederia, deixando-os à vontade para confessar seus crimes sem saber que estavam sendo gravados.

Lava Jato
Com medo de ir para cadeia e assistir a ruína do seu império, como aconteceu com Marcelo Odebrecht, Joesley tentava se tornar delator desde dezembro. Mas os procuradores afirmavam que não tinham agenda para se encontrar com o empresário.
A Lava Jato já tinha dois anos quando chegou aos negócios dos Batista. A porta de entrada foi a delação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, ligado a Eduardo Cunha, considerado o operador da JBS no Congresso.
À força-tarefa, Cleto contou que, em troca de propina, facilitara empréstimo do FI-FGTS à Eldorado. Nos meses seguintes, o grupo foi alvo de três operações da PF, que apuram irregularidades em empréstimos com recursos públicos e investimentos de fundos de pensão de estatais.
As sedes das empresas foram reviradas, os irmãos tiveram bens bloqueados e acabaram afastados temporariamente dos seus cargos. Joesley se sentiu emparedado e tomou sua decisão.
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