Quiteriense foi o primeiro diretor do Liceu do Ceará, que já foi o principal colégio do estado

De acordo com o livro "O Liceu do Ceará em Cem Anos", do autor Hugo Vitor, a escola é a 4ª mais antiga do País, fundada no ano de 1843. A instituição foi criada pelo Marechal Dr. José Maria da Silva Bitencourt, que era "engenheiro militar e foi o 13º presidente do Ceará e Comandante das Armas", de acordo com dissertação de mestrado "Moda e os uniformes escolares: aspectos históricos do fardamento escolar no Ceará", de Eveline Maria de Azevedo Silveira.
O primeiro diretor da escola foi o padre Dr. Thomaz Pompeu de Souza Brasil*. Já o primeiro prédio do Liceu foi inaugurado em 1894, no Centro de Fortaleza, e lá permaneceu até 1937, quando se mudou para o seu atual endereço, na Rua Liberato Barroso, no bairro Jacarecanga.
Antes de se fixar neste endereço, no entanto, a escola passou por diversos prédios públicos e particulares, inclusive a Santa Casa e o antigo Quartel da Força Policial.
O Liceu é considerada uma das escolas mais tradicionais de Fortaleza. Cearenses como Raimundo Girão, historiador e jornalista; Rodolfo Teófilo; médico e escritor; César Cals, ex-governador, Clóvis Beviláqua, jurista e professor e Barão de Studart, historiador, estudaram no estabelecimento.
Para conseguir ingressar no Liceu, os jovens necessitavam passar por rigoroso teste de admissão, porém a prova era democrática, pois era comum encontrar estudantes liceístas de várias classes sociais.
"No Liceu havia muitos estudantes vindos do Interior, com poucos recursos, mas com muita vontade de vencer. Alunos que residiam com parentes ou na Casa do Estudante e que concluíam o curso com enorme sacrifício. Muitos trabalhavam, eram balconistas de lojas, empregados de escritórios, do Exército, da Aeronáutica. Outros, como eu, eram o que se conhece como estudantes profissionais, aqueles que viviam para estudar. Nesse ponto, fui privilegiado. Mas tanto eu como os outros temos um ponto a nos unir: o orgulho com que usávamos a tradicional farda cáqui do Liceu e as lembranças que guardaremos dessa instituição exemplar de ensino", disse Lúcio Alcântara no livro "O Liceu do meu tempo: 160 anos de história".
Foi no ano de 1947 que o governador estadual, o desembargador Faustino de Albuquerque, decidiu que apenas os homens poderiam frequentar o Liceu. Várias garotas, então, passaram a estudar na Escola Normal Justiniano de Serpa.
"Quando ingressei no Liceu, em 1947, mulheres não podiam mais frequentá-lo. Alguns anos antes, recordo-me, ambos os sexos sentavam-se em bancos escolares, conjuntamente, sem o menor problema. Mas em 1950, ressurgiu o Liceu Feminino. Não no meu prédio. Colocaram as nossas colegas no prédio da antiga Escola Normal, hoje Colégio Justiniano de Serpa. Não perdíamos oportunidades de lá comparecer", conta Auriberto Cavalcante, autor do livro "O Liceu do Meu Tempo Volume II".

* Sacerdote, político e jornalista brasileiro nascido em Santa Quitéria, na mesorregião do noroeste cearense, mais conhecido como Senador Pompeu.

Diário do Nordeste
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