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Na estreia de Sampaoli, Argentina bate Brasil e impõe 1ª derrota da 'Era Tite'

Tite sentiu nesta sexta-feira o dissabor de sua primeira derrota sob o comando da seleção brasileira. Em amistoso em Melbourne, na Austrália, o Brasil perdeu para a Argentina, de Messi, por 1 a 0, com gol de Mercado. Neymar não jogou. O craque foi poupado da convocação. Desde que tomou a seleção das mãos de Dunga, o Brasil não sabia o que era perder. Foram nove vitórias seguidas e uma classificação para a Copa da Rússia antecipadamente. Mal sabia Tite que a primeira invertida do seu trabalho estava reservada para o maior rival do Brasil. 
O time volta a campo na terça-feira, para enfrentar a Austrália em novo amistoso em Melbourne. Depois disso, a comissão técnica vai para a Rússia acompanhar a Copa das Confederações - o Brasil não participa da competição. 
A derrota não condena a apresentação do Brasil, que jogou melhor. O Brasil alugou o meio de campo da Argentina no primeiro tempo. Mais do que isso: marcou dentro da área dos vizinhos sul-americanos, com Willian, Gabriel Jesus e até Philippe Coutinho. Era um jeito diferente de a seleção se comportar. Tamanha pressão ainda não havia acontecido neste time de Tite. 
A marcação alta induzia ao erro na saída da Argentina, de modo a fazer com que o Brasil roubasse muitas bolas e tentasse tramar algo contra o goleiro Romero. O que faltou foi mais arremate. Mesmo com a bola e com essa postura, o Brasil concluiu pouco a gol. E na melhor tentativa, que ocorreu numa jogada de contra-ataque, Willian arrancou pela esquerda, posição de Neymar e tocou para Coutinho bater, mas ele demorou e houve o abafa.
A postura avançada da seleção no meio de campo tinha outra finalidade que somente atacar. Tite não queria que a bola chegasse em Messi, e por motivos óbvios. O sistema funcionou bem até o fim da etapa inicial, pouco antes de os argentinos abrirem o marcador, com Mercado. Nos últimos 10 minutos do primeiro tempo, Messi teve mais liberdade, pegou mais na bola e deu mais trabalho. As jogadas de Di María pela esquerda, aberto e em velocidade, eram as apostas do técnico estreante Sampaoli. De longe, o atacante era o mais perigoso, acertou bola na trave e manteve Fagner na defesa, com poucas investidas ao ataque.
A seleção brasileira, que fazia quatro anos e meio não perdia para a Argentina, ficou com a bola, mas não fez gols. Nos minutos finais da etapa inicial, aos 44, numa bola de escanteio voltada para trás, foi furada pelo rival. Di María cruzou, Otamendi cabeceou na trave e, no rebote, Mercado marcou: 1 a 0. 
"Faltou ao Brasil mais toque de bola, tabelas, no centro da área. Gabriel Jesus está muito sozinho e voltando para buscar a bola. Ele deveria fazer o pivô dessa tabela", disse Pelé, no intervalo, um dos comentaristas contratados pela CBF para o jogo na Austrália. O outro era Denílson, ex-atacante do São Paulo. Pelé tinha razão. O Brasil teve bom volume de jogo sem, no entanto, oferecer tanto perigo ao time de Messi. 
Tite não viu necessidade de mudar a seleção para a etapa final, mesmo perdendo por 1 a 0. Estava correto mais uma vez. Mas não contava com a ligeira melhora do adversário. Os 15 minutos iniciais foram da Argentina, que atuava também com mais liberdade. O Brasil só "acordou", como disse Pelé, depois de sofrer alguma pressão. E teve pelo menos três boas chances de marcar, uma delas num lance inacreditável, em que Jesus driblou o goleiro e chutou na trave. No rebote, Willian encheu o pé para mandar novamente na trave. A jogada aconteceu aos 16 minutos, quando a seleção já era melhor. Minutos depois, começou a atuar com três atacantes, uma vez que Tite sacou Renato Augusto para escalar Douglas Costa. 
Tite lamentou o gol perdido. Gabriel Jesus também. O Brasil tentava de todas as maneiras empatar. O time era só ataque. Foi criando boas jogadas e dominando a partida novamente. A Argentina, que testava alguns jogadores, com Messi em campo até o fim, recuava e só atacava na boa. Fazia boa marcação e tentava confirmar sua vitória na Austrália. Confirmada no apito final. Um bom começo para o time que precisa se classificar para a Copa da Rússia e também para a estreia do treinador Jorge Sampaoli. Uma derrota para a história de Tite.

Estadão Conteúdo
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