Proposta de plebiscito sobre Enel divide deputados na CCJ

Tramitam já há algum tempo, na Assembleia Legislativa, dois projetos de Decreto Legislativo solicitando realização de plebiscitos no Ceará. O instrumento de participação popular nunca foi utilizado no Estado desde a redemocratização do País e, para seus autores, seria um momento ímpar na história do Legislativo Estadual caso as matérias fossem aprovadas na atual Legislatura.
Uma das propostas, de autoria do deputado Renato Roseno (PSOL), é a que tem causado mais embates entre os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele quer uma consulta popular para saber se a população cearense quer que a Coelce, hoje chamada de Enel, volte ou não a ser estatizada, após o prazo de 30 anos dado no processo de privatização, que foi oficializado em 1998.
Ontem, dois secretários do governador Camilo Santana (PT) trataram da questão da privatização da antiga Coelce em redes sociais. Arialdo Pinho, secretário de Turismo, não poupou críticas aos serviços da empresa energética. Maia Júnior, secretário de Planejamento, defende a privatização.
Segundo Arialdo Pinho, várias obras do próprio Governo do Estado do Ceará estão inconclusas por responsabilidade da Enel, que não atende às solicitações de ligações. Arialdo disse ainda que não é só o Poder Público que sofre com as falhas da antiga Coelce, pois as famílias pobres só conseguem ligações em suas residências após um longo tempo da solicitação.
No último dia 4, durante reunião do colegiado, o projeto de Roseno por pouco não foi rejeitado por parlamentares governistas. Ao perceber que seria derrotado, ele solicitou retirada da matéria para que, após realização de uma audiência pública, seja novamente debatida.
Os ânimos se exaltaram entre o líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), e Renato Roseno, quando o primeiro chegou a dizer que o colega estava querendo impor aprovação do Decreto. O projeto do parlamentar dispõe sobre a realização de um plebiscito para decidir sobre a reestatização da Companhia Energética do Ceará, a antiga Coelce, hoje, Enel.

Diário do Nordeste
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