Senado aprova indicação de Raquel Dodge para PGR

Sem polêmicas e por quase unanimidade, a subprocuradora da República Raquel Dodge teve sua indicação ao comando da Procuradoria-Geral da República aprovada nesta quarta-feira, 12, pelo Senado. Foram 74 votos a favor, 1 contra e 1 abstenção. O voto é secreto.
Raquel irá substituir o atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cujo mandato termina no dia 17 de setembro.
Na sabatina, que durou 7h20, Raquel foi questionada sobre temas como a Operação Lava Jato, lei de abuso de autoridade, foro privilegiado mas, principalmente, ouviu críticas à atuação do Ministério Público Federal em casos envolvendo políticos.
O momento de maior constrangimento durante a sessão, porém, não a envolveu. O senador Renan Calheiros (PMDB) criticou o fato de ter sido alvo de denúncia às vésperas de ser eleito presidente do Senado, em 2013, e sugeriu motivações políticas na ação. Na época, ele foi denunciado pelo então procurador-geral da República Roberto Gurgel pelo caso envolvendo a jornalista Mônica Veloso. Gurgel estava presente na sala e acompanhava a sabatina a poucas cadeiras de distância de Renan.
"O momento é dificílimo em relação à representação política, mas não dá para generalizar. Porque o modelo é apodrecido, todos que participaram desse modelo cometerem este mesmo tipo de crime?", disse Renan.
Em sua resposta, Dodge defendeu a instituição e disse que o objetivo de todos é sempre acertar. "É uma instituição de pessoas vocacionadas, de pessoas que querem acertar e certamente tem dado o melhor de si para que essa missão constitucional seja cumprida da melhor maneira", disse Raquel.

Lista tríplice
Durante a sabatina, Raquel defendeu a produção de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para institucionalizar a lista tríplice na escolha do mandatário do Ministério Público Federal.
"Há muitos anos estou na instituição e sou defensora ardorosamente da lista. Ela funciona como bom critério em relação a escolha do PGR", afirmou a sucessora de Rodrigo Janot.
Atualmente, a lista com três nomes é produzida pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), mas não impõe uma obrigatoriedade para que o presidente da República escolha um dos nomes. De acordo com o texto atual da Constituição Federal, cabe ao presidente da República escolher o novo PGR.
Segunda colocada na lista produzida pela ANPR, Dodge afirmou que a institucionalização da escolha via lista tríplice confere legitimidade ao novo PGR dentro da instituição.
"Aquele que vier a ser indicado e escolhido contará com a legitimação dos membros do MPF", afirmou em resposta aos questionamento dos senadores da CCJ.

Estadão Conteúdo
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