"Maquininha do dízimo" gera discussões na internet sobre mercantilização da fé

Uma novidade proposta para as igrejas cristãs gerou polêmica. A maquininha do dízimo, desenvolvida para dar celeridade no processo de pagamento do dízimo, tem recebido críticas de alguns internautas, que vêem a criação como uma forma de mercantilizar a fé.
No Facebook, uma página com mais de sete milhões e meio de seguidores postou a foto da máquina com a legenda “Sim, é real”, o que gerou mais reações contrárias do que favoráveis. “Usar a fé pra explorar os outros, nada de novo nesse Brasil”, comentou um usuário. Outro  ironizou, comentando que “empreendedorismo é a jogada mestre”. “Cada um gasta o dinheiro da forma que bem entender. Ninguém é obrigado a devolver o dízimo”, apoiou outra.
A máquina, que aceita pagamentos no crédito e no débito, foi criada pela startup Servo Fiel Tecnologia, no estado do Paraná, na cidade de Dois Vizinhos - de 40 mil habitantes. Um dos três fundadores da empresa e diretor administrativo, Marcos Leandro Nonemacher, católico de 40 anos, disse que a ideia surgiu a partir da constatação de que os processos de pagamento e fechamento de caixa eram bastante morosos. “A partir disso se criou a versão da maquininha para o dízimo”, explica Nonemacher, que, embora seja católico, diz que a missão da empresa é fornecer para todas as religiões cristãs.
Na visão do empreendedor, outro ponto positivo é o fato de a contribuição não passar “de mão em mão”, como seria em caso de pagamento em espécie. Para ele, essa forma de pagamento evita possíveis enganos ou desonestidades.
Sobre os comentários negativos, ele diz entender que são naturais, citando a Uber como um exemplo de inovação tecnológica que tem recebido críticas. Nonemacher, no entanto, diz que os fieis que já estão em contato com a máquina – 12 estados do Brasil - têm elogiado a ideia, pois sentiram o benefício da tecnologia.
Ele reconhece que mecanismos para melhorar a transparência ainda estão sendo trabalhados. “É muito novo, é algo que estamos aperfeiçoando”.

O POVO Online
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