Caravana de Lula pelo NE chega ao fim com jingle e pedido de voto

Foram 20 dias de viagens por nove Estados, dezenas de discursos e eventos que terminam nesta terça-feira (5), em São Luís. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra sua caravana pelo Nordeste repetindo que os atos não se tratam de pré-campanha, mas a incursão nordestina foi cheia de detalhes que lembram mais comícios que atos públicos.
Lula tem repetido em seus discursos que não sabe se será candidato, e que a viagem é "para conversar com o povo". Diz que a dúvida da candidatura se deve à incerteza jurídica, já que ele foi condenado a 9 anos e meio de prisão pelo juiz Sergio Moro, e alega que o próprio PT não decidiu se irá lançá-lo. 
Apesar do discurso, no partido não há qualquer indecisão. Todos os principais nomes do PT admitem que Lula é o único nome pensado para a eleição presidencial de 2018. "Não há plano B", disse várias vezes Jaques Wagner, ex-ministro da Casa Civil, um dos aliados mais próximos de Lula e presença certa em diversos atos na caravana nordestina.
Os aliados do petista, inclusive, reivindicaram várias vezes nas últimas três semanas que a militância não aceite uma eventual proibição da candidatura do ex-presidente em 2018, citando sempre que seria um "novo golpe". "Sem isso [barrar sua candidatura], o golpe não fecha, eles não conseguiriam justificar o impeachment da Dilma", discursou o próprio Lula.

Jingles
Entre uma viagem e outra, até jingles antigos foram ressuscitados pela militância e embalaram caminhadas e atos. Na chegada a Salvador, por exemplo, no trajeto entre o metrô e a Fonte Nova, o famoso "Lula, lá", da campanha de 1989, foi repetido várias vezes no carro-de-som.
Uma nova música, porém, com todo estilo de trilha de campanha, foi especialmente composta para a caravana. O jingle foi apresentado em Estância (SE) e diz: "Olha Lula aí, na rua, na luta de novo, Lula, o Brasil e o povo". 
O refrão entoa o caráter missionário e patriótico que Lula reforçou na caravana ao comparar-se, entre outras figuras, com Tiradentes e Luiz Gonzaga. "Lula, Lula, a gente nunca vai te abandonar; Lula, Lula, só você nos representa lá", entoa o refrão.
A tentativa de posicionar Lula como um "salvador" não veio só cantada, mas foi bradada também pela ex-presidente Dilma Rousseff, que teve participação discreta na caravana, com discursos apenas em Pernambuco. Mesmo com poucas aparições, fez pedido de voto a Lula durante uma de suas falas.
"Vamos com toda nossa determinação eleger o nosso grande presidente Lula, que é a pessoa que representará novamente o Brasil de cabeça erguida, não o Brasil ameaçado, o Brasil diminuído, sem respeito; mas o Brasil que nós sabemos que nós somos capazes de produzir", disse a ex-presidente durante discurso em Ipojuca (no Grande Recife).
Outras falas em defesa da candidatura em 2018 foram comuns. Militantes também levaram vários cartazes em defesa do ex-presidente. "Quero muito que ele volte, seja candidato e ganhe. Foi um presidente bom, trouxe o Bolsa Família", disse Gilberto da Conceição, 55, enquanto esperava a passagem do ônibus do ex-presidente em São Domingos (SE). "Ele é o pai da pobreza", diz José Alexandre de Araújo, 59.

TSE proíbe campanha
O cuidado do ex-presidente e de sua equipe em proibir o termo campanha evita problemas maiores com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A Corte veda qualquer campanha política com viés eleitoral, ou seja, pedido direto de voto, fora do prazo legal, iniciado entre julho e agosto do ano da eleição, quando todos os partidos já tiverem apresentado seus candidatos. Fazer propaganda antecipada pode render multa de R$ 5 mil a R$ 25 mil ao pré-candidato.
"Não quero falar de eleição, que não posso", admitiu Lula durante trecho de um discurso na Bahia. "Estou andando para aprender com o povo o que está acontecendo nesse país, que está subordinado a um golpe de um grupo de pessoas que nunca tiveram competência de ser presidente e cassaram 54 milhões de votos da companheira Dilma [Rousseff]".

Último dia
No último dia da caravana, Lula se encontra com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que foi de opositor a aliado dos petistas. O ex-presidente e seu partido apoiaram, em 2010 e 2014, as candidaturas de Roseana Sarney (PMDB) e Edison Lobão FIlho (PMDB) ao governo do Maranhão, contra Dino.
Porém, no processo de impeachment de 2016, a família Sarney apoiou o afastamento de Dilma, e foi Dino --que é ex-juiz-- um dos governadores que fez a mais ferrenha defesa da ex-presidente. Chegou a aconselhar, em entrevista ao UOL, que ela procurasse tribunais internacionais contra a sua retirada do poder.
Dino recebeu Lula nessa segunda-feira (04) e ofereceu um jantar a ele no Palácio dos Leões, residência oficial do governador maranhense. Nesta terça, os participam do último ato público da caravana, às 17h, na praça Dom Pedro 2º.

UOL
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