Escolas da Capital suspendem aulas por ameaças de facções criminosas

A “guerra” entre as facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (GDE), que tem deixado um rastro de sangue nas ruas de Fortaleza, com corpos mutilados e bairros sitiados, agora avança para outra modalidade: implantar o terror através de boatos de invasão a escolas da rede pública em bairros periféricos da Capital.
Na tarde desta terça-feira (26) e já na manhã de hoje (27) várias unidades de ensino da zona Oeste da cidade suspenderam as aulas diante de boatos de que haveria invasão por parte das facções. Alunos que seriam de outros bairros dominados por facções rivais estariam proibidos de freqüentar as escolas e ameaçados de morte.
Foi o que aconteceu na tarde desta terça-feira na Escola Estadual de Ensino Profissional Marvin, localizado no bairro Cristo Redentor, onde, à pedido dos próprios alunos, a direção decidiu suspender as aulas. Havia boatos de que a facção GDE estaria ameaçando invadir o local para retirar de lá alunos que fossem moradores de bairros que são dominados pelo CV.
A direção da escola não quis se pronunciar sobre o assunto, mas confirmou ter “achado melhor” suspender as aulas e mandar os alunos de volta para casa.

Invasões
Outra unidade de ensino do mesmo bairro, a Escola Municipal Santa Teresa, também liberou os estudantes por conta da boataria que se espalhou pelo bairro.  Segundo os estudantes, uma escola infantil  e creche próxima, a ABC, já sofreu, ao menos, duas invasões de bandidos. As escolas ficam localizadas na Avenida Monsenhor Hélio Campos, a poucos metros de um quartel da Polícia Militar, a sede da 3ª Companhia do 5º BPM. Mesmo assim, os criminosos não se intimidam com a proximidade com a polícia. No começo do mês, duas pessoas foram mortas praticamente na porta do quartel e, mesmo assim, os assassinos fugiram.
Conforme o relato de alguns moradores, a área onde estão localizadas as escolas fica no limite entre os bairros Cristo Redentor, Pirambu e Colônia e ali há uma “guerra” entre as quadrilhas ligadas às duas facções pelo domínio de território do tráfico. Uma moradora (identidade preservada) revelou em entrevista a uma emissora de TV local que os moradores das ruas além da Avenida Doutor Theberge estão proibidos de cruzar aquela via para poder chegar nas escolas. Assim, os filhos estão impedidos de ir assistir aula.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não se manifestou sobre o assunto. O policiamento na área não foi reforçado pela PM.

Fernando Ribeiro
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