Ministério da Fazenda quer elevar alíquotas do PIS e Cofins para compensar perdas financeiras

Após o STF excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, em um julgamento de enorme impacto financeiro para a União, o Ministério da Fazenda deseja, agora, aumentar as alíquotas desses dois tributos para compensar as perdas que teve com a decisão do Supremo Tribunal Federal. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, a equipe econômica já prepara, inclusive, uma Medida Provisória (MP) para elevar os percentuais dessas cobranças.
Ainda de acordo com a Folha, o principal objetivo da equipe econômica do Governo Federal é igualar as receitas que estavam previstas antes do julgamento do caso no STF, em março. Na época, a Advocacia-Geral da União (AGU) chegou a afirmar que a decisão do Supremo poderia acarretar em perdas de até R$ 27 bilhões por ano.

A decisão
Durante o julgamento do caso, o STF entendeu que o ICMS, por se tratar de um imposto estadual, não poderia ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, que são tributos federais.Votaram pela exclusão a relatora, ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo, os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello e a ministra Rosa Weber. Os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes votaram por negar o recurso, posição defendida pela Fazenda Nacional.
Um dos pontos de divergência foi sobre se faturamento e receita seriam a mesma coisa. Para a relatora, ministra Cármen Lúcia, "é inegável que o ICMS abarca todo processo e o contribuinte não inclui como faturamento o que ele haverá de repassar à Fazenda Pública, tratando-se de ingresso".
O voto final foi dado pelo decano da Corte, ministro Celso de Mello, que poderia ter empatado o julgamento, mas seguiu a relatora ao prover o recurso. Ele reafirmou a "inconstitucionalidade da inclusão dos valores pertinentes ao ICMS na base de cálculo da Cofins e da contribuição ao PIS, em razão dos valores recolhidos a título de ICMS não se subsumirem à noção conceitual de receita ou de faturamento da empresa".
A divergência foi inaugurada pelo ministro Edson Fachin. Ele afirmou que "embora não haja incremento patrimonial, o valor relativo ao ICMS destacado e recolhido referente a uma operação concreta integrará a receita efetiva do contribuinte, pois gerará oscilação patrimonial positiva". O ministro Gilmar Mendes usou palavras fortes ao votar a favor do governo.
"As consequências do julgamento serão desastrosos para o País. Não apenas para o impacto tributário", declarou. Ele afirmou que a exclusão do ICMS da base do PIS e da Cofins "redundará em expressivas perdas de receitas para a manutenção da seguridade social". O ministro se disse preocupado com a "ruptura do sistema tributário" e também criticou o que enxerga como "hipertrofia do Poder Judiciário" ao tomar tal decisão.

Redação Web
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