Primeiro do PSDB: Ministro das Cidades pede demissão do cargo a Michel Temer

O ministro das Cidades, o tucano Bruno Araújo, pediu demissão do governo Michel Temer na tarde desta segunda-feira (13). Ele enviou ao presidente sua carta de exoneração após cerimônia  simbólica de entrega de cartão reforma, no Palácio do Planalto.
Na carta, ele agradeceu a confiança de Temer no PSDB e disse que "não há mais apoio" para que o ministro continue no cargo e fala indiretamente da crise vivida no PSDB."Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa", escreveu.
Araújo é deputado federal por Pernambuco e estava no governo desde o início da gestão Temer, em maio de 2016.
O tucano é o primeiro ministro do PSDB a pedir demissão diante das movimentações da cúpula do partido para desembarcar do governo Temer. Além dele, há outros três nomes da sigla na Esplanada dos Ministérios: Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).
Os cargos ocupados pelo PSDB são cobiçados por outros partidos da base aliada de Temer - em especial o "centrão", que agrega siglas como PP, PR, PTB, PSD e PRB - insatisfeitos com o espaço no governo e que pedem a mudança administrativa em troca de aprovar projetos de interesse de Temer como a reforma da Previdência.

Declarações do ministro
"Tenho a convicção, Sr. Presidente, que a serenidade da história vai reconhecer no seu Governo resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira. Receba minha exoneração e meus agradecimentos", completa o deputado pernambucano que estava licenciado.
Bruno diz que, em maio do ano passado, aceitou o convite "para ajudar o País no processo de transição que permitisse, nas palavras do ex-presidente Fernando Henrique, 'repor em marcha o governo federal' e preparar o País para o seu próximo líder a ser eleito daqui a alguns meses". 
Bruno Araújo, que discursou no evento no Planalto, afirmou que sob seu comando o Ministério das Cidades avançou em governança. "Recuperamos o Minha Casa, Minha Vida e a credibilidade nos compromissos financeiros. Implantamos duas ações que vão deixar marcas relevantes no desenvolvimento social do País: o Cartão Reforma e a Nova Legislação de Regularização Fundiária", declarou. "Preciso agradecer o apoio de toda nossa competente equipe nessas realizações, e de modo especial a sua confiança, que de trato sempre fidalgo e republicano, permanentemente nos deu autonomia em busca da melhor entrega possível a população brasileira", completa. 
O agora ex-ministro afirmou que ainda há muito o que se fazer. "O País responde rapidamente ao comando da boa gestão, testemunhei isso. É hora das prioridades serem mais da sociedade e menos das corporações. É fundamental coragem de todos para os enfrentamentos que protejam as necessidades dos que não conseguem faltar ao trabalho para vir a Brasília clamar por melhores serviços públicos."

Folhapress / Estadão Conteúdo
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