No Ceará, mulheres negras são assassinadas 4,43 vezes mais do que mulheres brancas

O relatório índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, divulgado nesta segunda-feira, 11, revelou que uma jovem negra no Brasil tem risco 2,2 vezes maior de ser morta do que uma jovem branca. O estudo foi realizado pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e pela organização Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O índice foi calculado tomando como base a análise de dados de 304 municípios do Brasil com número superior a 100 mil habitantes. A informação é do Uol.
No Ceará, a taxa de homicídios de jovens negras por 100 mil habitantes é de 7,2. Já a taxa de homicídios de jovens brancas é de 1,6. Assim, o risco de morte de mulheres negras é 4,43 maior do que a morte de mulheres brancas.
As informações estão organizadas em quatro dimensões: violência entre jovens, frequência à escola e situação de emprego, pobreza no município e desigualdade. Em 26 estados do País, o número de homicídios entre mulheres de 15 a 29 anos é maior entre as negras. No Rio Grande do Norte, por exemplo, as mulheres negras morrem 8,11 vezes mais do que as brancas. Fica de fora desse contexto somente o estado do Paraná, que teve número de mulheres brancas mortas superior às negras.
A representante interina da Unesco no Brasil, Marlova Neto, diz que o ponto forte da pesquisa é a questão de gênero. Ela entende que os dados mostraram, mais uma vez, o genocídio dos jovens negros.
Outro apontamento é referente a jovens de ambos os sexos. De acordo com a pesquisa, a violência contra o jovem negro foi agravada nos últimos dois anos. O primeiro estudo, realizado em 2015, mostrou que os negros - de 12 a 29 anos - tinham 2,5 vezes mais chances de serem assassinados do que os brancos. Agora, a atual pesquisa mostra um risco de 2,7.
Para Marlova, o aumento, embora pequeno, é significativo do ponto de vista social e mostra que o Brasil falhou em acabar ou amenizar a situação.
O secretário nacional de Juventude, Francisco de Assis Costa Filho, comenta que os resultados mostrados vão possibilitar o desenvolvimento de ações mais direcionadas e focadas principalmente nos negros. Para ele, isso contribuirá para a redução das desigualdades de gênero e para combater o racismo.

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