Paciente morre na fila de espera por transplante no Hospital da Messejana

Uma morte foi preciso para alertar a Secretária da Saúde do Estado (Sesa) sobre a falta de medicamentos e material hospitalar para a realização de cirurgias de transplantes de coração. Após esperar 47 dias por um novo órgão no Hospital de Messejana, o paciente Valcides Pereira, 58, morreu aguardando uma cirurgia.
A situação pode se agravar ainda mais, pois um medicamento especifico para recém-transplantados só chegará ao Hospital no dia 22 de dezembro, o que impossibilita a realização de novas cirurgias. Segundo o promotor de Saúde Pública Luciano Percicotti, o desfecho do paciente passa agora a ser caso de Polícia, sendo comprovada a omissão de socorro do Estado.
Pelos menos outros três pacientes aguardam com maior nível de prioridade um transplante de coração no Hospital de Messejana. Acompanhado da sobrinha, o paciente Abraão Ribeiro, 40, saiu do Maranhão para Fortaleza. Internado há dois meses, ele também espera por um novo coração. "Eles já nos disseram que as cirurgias estão suspensas. Meu tio sente o cansaço. Ele era colega de quarto de seu Valcides. Existem doadores, mas não tem material para fazer cirurgia", diz a acompanhante Adriana Santos. Um outro homem do Pará aguarda no mesmo quarto por uma coração.
O promotor de Saúde Pública Luciano Percicotti afirmou que está aguardando uma reunião para apresentação de dados do Governo do Estado sobre a situação dos Hospitais estaduais. "Há 10 dias nos reunimos com a Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e membros do Governo para solicitar uma audiência com o governador". Na reunião, foi verificado que pelo menos três empresas que fornecem medicamentos e material cirúrgico ao Hospital de Messejana e para o HGF estão com problemas na Justiça.
"Estamos apurando dois procedimentos, um do Hospital de Messejana e outro do HGF. O Estado alega que as empresas contratadas tiverem bens bloqueados e estão com problemas na Justiça. Como se faz uma licitação com uma empresa que está com problema judicial? É preciso que a empresa seja idônea para se participar de um processo de licitação", declarou Percicotti. Ainda segundo o promotor da Saúde, duas audiências foram realizadas com a direção dos dois hospitais. Sobre o caso de Valcides, a situação será apurada. "Vamos buscar a responsabilidade de crime. Será requisitado do Hospital o prontuário do paciente para avaliar as causas da morte", disse o promotor.

Ações
A Sesa informou, por meio de nota, que o medicamento Milrinona lactato (marca comercial Primacor), que pode ser essencial para pacientes após o transplante, foi empenhado no mês de outubro. O fornecedor foi notificado e multado pelo não cumprimento do prazo. A previsão dada para a entrega do medicamento, que está em falta desde novembro, é 22 de dezembro.

24 horas
"O pronto atendimento a pacientes diagnosticados com infarto agudo do miocárdio funciona 24 horas, de domingo a domingo. Na emergência do HM, foram realizados 73.508 atendimentos de janeiro a outubro deste ano", declarou a Pasta de saúde em comunicado. A Sesa conclui a nota dizendo que "reafirma o compromisso com a saúde pública para garantir o atendimento e a assistência de qualidade à população cearense".
Sobre o abastecimento de insumos médico-hospitalares, a Sesa informa que a descontinuidade pontual se deve a fatores que envolvem o fornecimento, como realinhamentos de preços, atrasos de entrega, requerimentos de troca de marca por parte dos ganhadores das licitações, além de trâmites burocráticos necessários para dar mais segurança ao processo de aquisição.

Diário do Nordeste
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