Lava Jato investiga ‘Lula, o filho do Brasil’

A Operação Lava Jato resolveu mirar mais uma questão ligada ao ex-presidente Lula, o financiamento do filme que conta a história da vida dele, "Lula, o filho do Brasil", lançado em janeiro de 2010. Os agentes já chamaram o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antonio Palocci para prestar depoimento. 
A Polícia Federal foca "a participação de personagens envolvidos no tema, em especial Antonio Palocci Filho, junto a empresas". 
O ex-ministro Palocci foi convocado para prestar depoimento no dia 11 de dezembro, e foi questionado sobre a suposta relação que ele teria com a produção do filme. O político disse que "deseja colaborar na elucidação de tais fatos", mas que naquele momento ficaria em silêncio, de acordo com informações do Estadão. 
O filme, baseado no livro homônimo da jornalista Denise Paraná, custou cerca de R$ 12 milhões. Mais recente, outro filme brasileiro, "Polícia Federal, a Lei é Para Todos", custou R$ 15 milhões, por exemplo.
No mesmo dia, Marcelo Odebrecht respondeu a uma série de perguntas e foi apresentado a e-mails que teriam sido extraídos do seu computador e ligados ao financiamento do longa. Os e-mails teriam sido trocados por executivos da empreiteira entre 7 de julho e 12 de novembro de 2008. Um deles, escrito por Marcelo Odebrecht, tem cinco tópicos e é endereçado a outros funcionários do grupo, que também se tornaram delatores.
"5) O italiano me perguntou sobre como anda nosso apoio ao filme de Lula, comentei nossa opinião (com a qual concorda) e disse que AA tinha acertado a mesma com o seminarista, mas adiantei que se tivermos nos comprometido com algo, seria sem aparecer o nosso nome. Parece que ele vai coordenar/apoiar a captação de recursos", escreveu Marcelo Odebrecht no e-mail, ainda segundo o jornal paulista.
"Pelo que o declarante conhece, Emílio Odebrecht nunca condicionou apoio financeiro de interesse de Lula a benefícios específicos de interesses da Odebrecht; que acredita que nunca houve esse tipo de vinculação específica, à exceção de episódios já expostos pelo declarante em seu acordo de colaboração (casos do Refis da crise liberação de linha de crédito para Angola)", declarou Odebrecht sobre o assunto.

Jornal do Brasil
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