Temendo desgaste na campanha para a reeleição, Camilo mantém André Costa na SSPDS

Após horas de reunião a portas fechadas em seu gabinete, ouvindo seus assessores mais próximos, o governador Camilo Santana (PT) decidiu na noite passada (29) manter no cargo o atual secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal André Costa, mesmo diante do desgaste que sofreu em nível nacional por conta da chacina das Cajazeiras. Os prejuízos para suas pretensões políticas (reeleição) seriam bem maiores se demitisse o gestor, concluiu o petista.
Na reunião que varou a noite no Palácio da Abolição, Camilo Santana ouviu principalmente seu chefe de gabinete, Élcio Batista; e o coordenador de Comunicação Social e Imprensa, jornalista Chagas Vieira, o “Chaguinhas”.  A permanência de André Costa no cargo, porém, foi  condicionada a ele aceitar a vinda ao Ceará de uma força-tarefa de Polícia Judiciária da Força Nacional de Segurança, composta de 30 homens, entre eles, dois delegados, escrivães e investigadores. Isto vai representar mais desgaste e desprestígio para a Polícia Civil do Ceará, mas foi a forma que Santana viu de dar uma satisfação à população e aos seus aliados políticos.
Apesar de ser o centro das discussões, o secretário não participou da reunião inteira. No meio do encontro, quando sua “cabeça” estava sendo avaliada, ele decidiu sair do Palácio e seguiu com seus seguranças, às pressas, para a sede da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ouviu do diretor daquela unidade, delegado Leonardo Barreto, a informação de que suspeitos de envolvimento na matança no “Forró do Gago” haviam sido presos pela equipe da Divisão.

Suspeitos presos pela PM
Na verdade, quem estava preso ali eram sete suspeitos capturados, ainda na manhã de ontem, por policiais militares da 3ª Companhia do 14º BPM (Maracanaú), quando se encontravam no cemitério Jardim do Éden, no Município de Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). No momento em que foram cercados pelas patrulhas da PM, os  sete estavam armados com duas pistolas e um revólver, e acompanhavam o velório e sepultamento de uma das vítimas da chacina. Todos foram encaminhados para a Delegacia Metropolitana de Maranguape.
Ao tomar conhecimento da prisão dos suspeitos, o delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Lima, deu ordem para que todos fossem, imediatamente, transferidos para a DHPP. Dos sete detidos, dois foram liberados na própria DHPP. Cinco permanecem sendo interrogados, embora neguem participação na matança. Um deles seria o chefe da facção GDE num bairro próximo ao Jangurussu.
Ciente da evolução das investigações – por conta das prisões feitas pela PM – o secretário ligou para o governador e recebeu deste a autorização para convocar às pressas uma coletiva de Imprensa na própria sede da DHPP, o que acabou acontecendo. No entanto, os dois não alinharam o discurso. O governador se apressou em afirmar que o “mandante” da chacina e os executores já estariam presos. Já o secretário preferiu chamá-los de “suspeitos” ante as indagações dos jornalistas.
E na saída da DHPP, Costa teve que enfrentar mais uma saia justa. Foi abordado por uma repórter de TV e esta perguntou: “O senhor vai entregar o cargo?”. Surpreendido, o secretário  estampou um sorriso amarelo e respondeu de um fôlego só: “Entregar? Não. Só isso?” Horas depois, recebeu uma ligação do Palácio da Abolição com a informação de que será mantido no cargo.

Fernando Ribeiro
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