Delegado é afastado do cargo após operação contra corrupção do MPCE

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) um operação de combate a um suposto esquema criminoso envolvendo o titular do 34° Distrito de Polícia Civil (DP), Romério Moreira de Almeida, um advogado e um detento. Segundo as investigações, o delegado é suspeito corrupção passiva e foi inicialmente afastado de suas funções por 60 dias.
Batizada 'Renault 34', em alusão ao número do DP investigado, a operação está sendo tocada pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) do MPCE, em parceria com Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário do Estado (CGD). Ao longo desta manhã, agentes também cumprem mandados de busca e apreensão na casa do delegado Romério Moreira de Almeida, em virtude da determinação do juiz da 8ª Vara Criminal de Fortaleza, Henrique Granja.
Além do titular do 34º DP, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa e no escritório do advogado Hélio Nogueira Bernadino, e na cela onde se encontra o detento Anderson Rodrigues da Costa, preso na Unidade Prisional Desembargador Francisco Adalberto Barros de Oliveira Leal, conhecida como Carrapicho, em Caucaia. Ambos são suspeitos de corrupção ativa no mesmo caso.

Atendimento interrompido
Por conta da operação desta quarta-feira, o atendimento à população foi interrompido temporariamente no 34º DP, já que a CGD também realiza uma correição no Distrito Policial, com o objetivo de verificar indícios de crimes.
O delegado geral da Polícia Civil, Everardo Lima, compareceu ao 34° DP para acompanhar os procedimentos, mas não falou com a imprensa. Já a defesa do delegado Romério Almeida informou que estava se inteirando sobre o caso e iria se posicionar em breve.
Presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Francisco Lucas Oliveira também compareceu ao 34º DP para acompanhar a operação do MPCE. Segundo ele a ação desta quarta-feira "surpreendeu" por não ser de rotina. "Vamos aguardar para saber em que patamar estão as provas dessas denúncias contra o delegado afastado", afirmou. 

Associação de delegados diz que afastamento é consequência de "ruído de comunicação ou um contorcionismo interpretativo"
Em nota, a assessoria jurídica da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará (Adepol), representada pelos advogados Leandro Vasques e Afonso Belarmino, disse que tem acompanhado as diligências relativas ao caso e que o afastamento de Almeida se trata de um "ruído de comunicação ou um contorcionismo interpretativo", já que as circunstâncias que levaram à operação já teriam sido esclarecidas ao MPCE.

Leia a nota na íntegra:
"Ainda estamos nos inteirando de todos os elementos que compõem o fascículo investigativo, mas já podemos adiantar que os fatos sob apuração já foram esclarecidos pelo Dr. Romério Almeida perante o Ministério Público. Os diálogos entre o advogado e o seu cliente, captados por interceptação telefônica, não permitem de forma alguma a conclusão de que o delegado recebeu qualquer valor. Entendemos se tratar de um ruído de comunicação ou um contorcionismo interpretativo nesse sentido."
Diário do Nordeste 
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