Operação Tira-Teima: PF faz buscas autorizadas pelo STF em Fortaleza; Eunício nega ligação

A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (10) oito mandados de busca e apreensão em Fortaleza, São Paulo e Goiânia autorizados pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em decorrência da operação denominada Tira-Teima. As medidas estão ligadas ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), mas ele não é alvo das ações, segundo informações de O Globo, G1, Folha e Estadão.
A operação da Polícia Federal (PF) tem como base a delação premiada fechada por executivo da empresa Hypermarcas ocorrida em 2016 e investiga pagamentos de vantagens indevidas a políticos. Com os mandados, o objetivo, segundo a PF, é buscar documentos relativos a campanhas financiadas por meio de contratos fictícios.

Relembre o caso
Em 2016, Nelson Mello, ex-diretor da Hypermarcas, afirmou em delação premiada que pagou, por meio de contratos fictícios, R$ 5 milhões em caixa dois para Eunício Oliveira na campanha eleitoral ao Governo do Ceará em 2014.
Em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou 12 perguntas para o Eunício Oliveira, após o senador cearense ser alvo de inquérito no Supremo, aberto em abril de 2017, que o investiga por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo Mello, um lobista lhe informou que um emissário do senador o procuraria em 2014. Então, um sobrinho do senador, de nome Ricardo, pediu ajuda financeira à candidatura. Esse sobrinho seria Ricardo Lopes Augusto. "Pagou despesas de empresas que prestavam serviços à campanha de Eunício Oliveira; que ajudou mediante contratos fictícios", disse o executivo da Hypermarcas na delação.

Nota: Eunício nega envolvimento 
O senador Eunício Oliveira, por meio de sua assessoria, informa: "ele não foi alvo da Operação Tira-Teima. Tampouco pessoas ou empresas ligadas a ele foram alvo, ou sequer abordadas, na ação realizada na manhã dessa terça-feira (10)".

Nota: empresa cita operação em São Paulo após "colaboração de ex-diretor"
Em nota, a Hypermarcas - que agora mudou nome para Hypera Pharma - informou que houve operação "no escritório em São Paulo para colher documentos relacionados à colaboração do ex-diretor Nelson Mello". No comunicado, a empresa disse que "não é alvo de nenhum procedimento investigativo, nem se beneficiou de quaisquer atos praticados isoladamente pelo ex-executivo, conforme já relatado ao longo do ano de 2016".

Diário do Nordeste
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