Petroleiros cruzam os braços no Ceará; movimento foi considerado ilegal

A greve dos Petroleiros começou nos primeiros minutos desta quarta-feira (30) na Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), no Mucuripe. Segundo a organização do movimento no Estado, cerca de 50% dos trabalhadores estão de braços cruzados, apesar de o Tribunal Superior do Trabalho (TST) ter considerado o movimento ilegal na véspera.
Logo no início da manhã, petroleiros se reuniram em frente ao portão A da Lubnor. A paralisação faz parte de um movimento nacional da categoria, que reivindica preços mais baixos de todos os combustíveis, redução da capacidade ociosa de refino em todo o País, e defendem uma política de preços mais condizente ao patamar salarial da grande massa de consumidores brasileiros.
Segundo Manoel Menezes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindicato dos Petroleiros dos estados do Ceará e do Piauí (Sindipetro-CE/PI), os grevistas também se dizem contra a privatização da Petrobras. "O presidente da Petrobras hoje está forçando a população brasileira a pagar o lucro dos acionistas e impondo essa precificação que está prejudicando os trabalhadores de uma forma geral", reclamou. "Foram mais de 200 reajustes em um ano", acrescentou.
O dirigente reforçou que o movimento durará 72 horas, avaliando a situação ao final de cada dia com o movimento nacional. Menezes destacou ainda que o resultado da paralisação no Ceará "vai depender muito da área de cada trabalhador.  Nós tivemos um corte de rendimento noturno aqui da Lubnor. Isso tem um impacto na produção, porque tem um grupo reduzido ali dentro que não pode se estender por muito tempo. A empresa tem que negociar com o sindicato", afirmou. 

Movimento é considerado ilegal pela Justiça
Ainda na noite de terça-feira (29), o TST ter considerado o movimento ilegal. Em reação, a federação que representa a categoria informou, através de redes sociais, que a greve continuaria mesmo assim. "Não vamos arregar para a Justiça do Trabalho", disse o coordenador geral da FUP, José Maria Rangel, em vídeo distribuído pela entidade. "A greve está mantida." 
Comunicado da FUP publicado pouco depois da 1h relata que os funcionários "não entraram para trabalhar" em oito refinarias de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pernambuco. Também há paralisação, segundo a entidade, nos terminais de Suape (PE) e Paranaguá (PR).
Os petroleiros decidiram parar as atividades por 72 horas em solidariedade ao movimento dos caminhoneiros e para pedir a destituição de Pedro Parente do comando da estatal, entre outras reivindicações.
O TST tomou a decisão de declarar ilegal a greve por causa de sua "natureza político-ideológica". O tribunal estipulou multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento da ordem.

Expectativa de adesão
Ainda na terça, o presidente do Sindipetro-CE/PI, Jorge Oliveira, estimou que a paralisação deve contar com 99% de adesão dos 400 petroleiros ativos no Estado. "Seja na Lubnor, que é nossa única refinaria do Estado, na unidade de regaseificação do Pecém, na Transpetro do Maracanaú, ou nas nove plataformas de petróleo em Paracuru, toda a categoria em todas as bases do Ceará deve aderir ao ato".
Além de impactar na produção de gás natural para a indústria, a paralisação dos petroleiros deve estagnar a fabricação de lubrificantes à base de asfalto na Lubnor. O ato ocorre em paralelo ao 10º dia de greve dos caminhoneiros. O que pode vir a agravar o abastecimento de combustíveis. "O impacto maior vai ser em cima dos empresários porque pode ser que falte gás para as empresas, mas a população só deve ser afetada se a paralisação se estender, pois vamos deixar de produzir gasolina, diesel".

Diário do Nordeste
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