Pesquisa aponta que maioria dos eleitores não desconfiam que recebem notícias falsas

Segundo pesquisa do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação (INCT), a maioria dos eleitores brasileiros não percebem que recebem e consumem notícias falsas de política. Entre 2,5 mil pessoas ouvidas no primeiro semestre de 2018, com representatividade nacional em várias faixas etárias e de renda, menos de um quarto respondeu que desconfiava do recebimento de fake news.
De acordo com os autores do estudo, os cientistas políticos Max Stabile e Marisa von Bülow, professora do Instituto de Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), as entrevistas foram realizadas, coincidentemente, quando uma série de informações falsas a respeito da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março no Rio de Janeiro, foram disseminadas e compartilhadas nas redes sociais e em serviços de mensagens.
“A primeira coisa a se notar no resultado é que esse fenômeno das notícias falsas é importante no mundo todo, é algo que tem tido impacto na qualidade dos debates políticos de forma geral e, em especial, em momentos eleitorais. E a nossa pesquisa aponta que há pouca consciência disso no Brasil”, afirma a professora.
“A pergunta era: ‘Você desconfia de que recebe notícias falsas sobre política?’. Menos da metade daqueles que usam redes sociais [para se informar] disseram que desconfiam e, no total, menos de 24% dos que responderam a pesquisa disseram que desconfiam”, Bülow explica.
São consideradas notícias falsas nesse estudo “aquelas produzidas de forma intencionalmente mentirosa”. A definição exclui “rumores, fofocas ou opiniões, focando especificamente na produção de mentiras que têm como objetivo manipular e distorcer os debates políticos, disfarçando-os de notícias”.
Nas respostas, 7,7% afirmaram “não sei”, 23,9% afirmaram que “têm recebido” notícias sobre política que desconfiam que sejam falsas, e o restante, 68,3%, correspondem aos que responderam que “não recebem”.
“Se dois terços das pessoas que a gente entrevistou não desconfiam de que recebem notícias falsas sobre política, isso quer dizer também que elas nem estão se questionando se estão sendo usadas como iscas para reproduzir e viralizar o conteúdo. E isso é mais preocupante”, diz Bülow.
Os pesquisadores esperavam um índice maior de pessoas que admitem receber fake news de política, dada a grande repercussão do assunto no Brasil, e consideram que 24% é um número pequeno, uma vez que “a ampliação do acesso à internet – que hoje supera 60% da população brasileira – também significa ampliação do acesso a notícias falsas”.
“Em contextos eleitorais, o tema ganha ainda maior relevância, devido a seus impactos distorcivos no debate político e, portanto, na construção de preferências eleitorais. Um estudo recente sobre a eleição presidencial dos Estados Unidos de 2016 estima que um de cada quatro americanos acessou portais produtores de notícias falsas”, afirma a pesquisa.
“Outro estudo sobre o caso americano aponta que as notícias falsas mais populares tiveram maior quantidade de compartilhamentos no Facebook do que as notícias mais populares dos meios de comunicação tradicionais.” (As pessoas) não estão se questionando se estão sendo usadas como iscas para reproduzir e viralizar o conteúdo. E isso é mais preocupante Marisa von Bülow, professora do Instituto de Ciência Política na UnB (Universidade de Brasília) e coordenadora da pesquisa Número cresce entre usuários de redes sociais.
Se forem consideradas somente as respostas dos entrevistados que declararam usar plataformas de redes sociais para se informar sobre política, o número de pessoas que afirmam desconfiar que recebem fake news sobe para 45,7%. “Apesar do aumento, consideramos o número baixo. É evidência de que o fenômeno das notícias falsas ainda não é percebido como tal por uma parte importante da população, que tenderia a acreditar nessas ‘notícias’.”
“A pesquisa mostra uma crise de confiança não só com relação à parte política, aos parlamentares, ao sistema político de forma geral, à urna eletrônica. Estamos vendo também que os atos de desconfiança com relação aos meios de comunicação tradicionais estão muito elevados. As notícias falsas se alimentam dessa desconfiança, é uma ironia, mas é assim”, ressalta Bülow.

UOL
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