Sensores podem ajudar a diminuir perda de água no Ceará

A perda de água é um problema recorrente para o abastecimento hídrico do Ceará, com um índice de desperdício que chega a mais de 40%, provocado por ligações clandestinas ou vazamentos no sistema de distribuição. Entre as possíveis soluções para essa situação está a proposta dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Telecomunicações sem Fio (GTEL), da Universidade Federal do Ceará, baseada no uso de pequenos sensores e de ferramentas de internet das coisas.
Com tamanho reduzido, esses sensores seriam depositados nas tubulações de abastecimento, onde a perda da água geralmente acontece, sobretudo por conta de vazamentos entre um ponto e outro do sistema. Lá, eles transmitiriam informações sobre a água, como volume e qualidade, para servir como indicadores do que pode ter ocorrido no trajeto do recurso hídrico.
Se os sensores fossem postos em diferentes pontos do sistema de abastecimento, tanto poderiam indicar as características da água em cada ponto como também permitiriam conjecturas sobre em que momento do percurso houve vazamento. Se do ponto A ao B há uma diferença na vazão da água, pode-se presumir que existem problemas na rede exatamente entre esses dois pontos.
Isso facilitaria, por exemplo, o trabalho de manutenção feito pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), responsável pela distribuição de água no Estado, já que contaria com um universo reduzido para tentar solucionar os problemas de perda de água.
“A detecção exata é mais complicada, mas você pode saber em qual trecho (ocorre o problema)”, diz o Prof. Charles Casimiro, coordenador da pesquisa no GTEL. “Hoje não se sabe se o problema está entre o açude do Gavião e o bairro final de Fortaleza, por exemplo”, aponta.
O projeto é desenvolvido em parceria com o Instituto Real de Tecnologia (KTH), de Estocolmo, na Suécia, responsável pela produção do hardware dos sensores, enquanto o GTEL, no Departamento de Engenharia de Teleinformática da UFC, está encarregado de desenvolver as ferramentas de software que otimizam a transmissão das informações dos sensores e o tratamento de tais dados.
O interesse da instituição sueca no projeto se dá por conta das constantes inundações ocorridas em Estocolmo, algo que prejudica a qualidade da água. No Ceará, apesar de o maior problema ser a perda, os sensores também cumpririam importante papel na identificação dos elementos químicos presentes no recurso.
“Quando falamos em contaminação, não afirmamos necessariamente que a água é imprópria. Ela pode ter determinada concentração de cálcio, por exemplo, algo que pode ser ruim para alguém que tenha problema renal. É importante essa informação estar disponível”, defende Casimiro.
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