Policiais estão trabalhando desarmados no Ceará, diz Sinpol

Os novos policiais fizeram todo o curso preparatório e estão aptos a atuar nas delegacias do Ceará investigando os crimes e protegendo a população.
Mas isso ainda não se tornou uma realidade por que dos 646 policiais que foram empossados há um mês no Centro de Eventos do Ceará pelo governador Camilo Santana, só os 86 delegados receberam o armamento, até agora. Durante a posse o governador Camilo Santana chegou a falar sobre o impacto positivo que esse reforço no efetivo da Polícia Civil traria para a população.
A presidente em exercício do Sindicato dos Policiais Civis explica que a demora para a chegada desse armamento é por que as armas vem do exterior e segundo ela, faltou um melhor planejamento na hora da compra.
Mas o problema não para por aí, o Sindicato dos Policiais Civis do Ceará, denuncia que os novos inspetores e escrivães estão sendo obrigados a trabalhar nas delegacias mesmo ainda estando desarmados.
Apesar de um ofício ter circulado na quarta-feira (18), passada orientando os policiais a se apresentaram nas delegacias só quando estiverem armados. Segundo o Sinpol os profissionais receberam ligações de seus superiores para que começassem os trabalhos nesta segunda-feira (23) mesmo desarmados.
Com isso enquanto as armas não chegam, tanto os policiais estão em risco, como a população que há tempos não se sente mais segura.
E a previsão para que essas armas cheguem às mãos dos policiais é só no mês que vem.

Confira a nota do Sinpol divulgada nas redes sociais

“A Diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol-CE) tem recebido desde o sábado (21.07), denúncias de que escrivães e inspetores recém-nomeados estariam recebendo ligações de departamentos da Delegacia Geral, convocando-os a se apresentarem nas delegacias na segunda-feira (23.07), mesmo desarmados.
Inicialmente, informamos a esses policiais que até o momento não existe nenhuma convocação oficial nesse sentido por parte da Delegacia Geral, desfazendo o que foi posto nos ofícios circulares emitidos pelos departamentos na última quinta-feira. Assim, ninguém deve se apresentar nas delegacias até manifestação oficial da Delegacia Geral.
Durante toda a última semana, esta Diretoria tentou resolver a questão por meio do diálogo, apelando para o bom senso da cúpula da DG. Expor profissionais a quaisquer riscos e ignorar a ousadia do crime organizado no Estado, cedendo a pressões de terceiros, beira à irresponsabilidade e falta de compromisso com a vida desses homens e mulheres.
O argumento apresentado é o de que escrivães e inspetores se limitariam apenas a atividades administrativas, mas a DG não explica o tratamento claramente diferenciado dado aos delegados de Polícia, que já se encontram devidamente armados. Se não há risco, porque os delegados receberam as únicas armas disponíveis?
Senhor delegado geral, Everardo Lima, a vida de um delegado vale mais que a de um inspetor ou escrivão?
Informamos que estão sendo preparadas as devidas representações em desfavor do delegado geral, pois entendemos claro ato de improbidade administrativa. Informamos ainda que o nosso corpo jurídico está à disposição para todos os que desejarem representar contra o Estado e em defesa da sua vida.
Mais um capítulo triste de uma gestão desastrada, desastrosa, sem planejamento e que, lamentavelmente, não parece se preocupar com a segurança dos seus próprios subordinados.
A Diretoria”

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