Agricultura e trabalho doméstico lideram casos de exploração infantil no Ceará

Um levantamento realizado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 59 municípios cearenses apontou o setor agrícola e o trabalho doméstico como recordistas no que diz respeito à exploração infantil. O estudo revelou que, aproximadamente, 10 mil dos 153 mil entrevistados exercem, de maneira ilegal, uma atividade econômica no contraturno escolar.
O diagnóstico esclareceu que 20,48% dos casos foram identificados no setor agrícola, seguido dos outros 18%, que são as crianças ou adolescentes que trabalham como babás, cuidadores de idosos e empregadas domésticas; o comércio apresenta 14%, Entre os que foram perguntados, 12% estão no setor de serviços, como oficinas mecânicas, bares, restaurantes e borracharias. A criação de animais, principalmente a pecuária, ocupa o quinto lugar.
A pesquisa foi baseada nos relatos de estudantes do Ensino Fundamental I e II, em 871 escolas da rede pública que participam do Programa Nacional contra a Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Peteca). Os dados devem nortear estratégias de prevenção e combate à exploração de mão de obra destes.

Evasão escolar
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os locais do levantamento foram escolhidos porque mais de 80% das crianças e adolescentes que trabalham vão às aulas. No entanto, a evasão escolar é três vezes maior entre estas, quando comparadas com as que apenas estudam.
O procurador do MPT, Antonio de Oliveira Lima, ressalta que a escola é uma grande aliada para evitar a situação. "Quando a gente fala com o educador, estamos nos referindo a um profissional que lida cinco dias na semana e 200 dias letivos a cada ano com as crianças e adolescentes que trabalham", declara, acrescentando a importância do trabalho de sensibilização e conscientização para que a situação atual seja modificada.
"Criança não pode trabalhar em circunstância alguma. Aos adolescentes, é permitido atividades de aprendizagem, sempre vinculadas a algum tipo de formação, desde que a matrícula no colégio esteja em dia", assegura o chefe de escritório da Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Fortaleza, Rui Aguiar, ao afirmar que o objetivo da instituição é zerar o trabalho infantil até 2022, quando o Brasil completa o bicentenário da independência. "Temos notado que o fato vem crescendo nas áreas urbanas. Se nós tivéssemos mais vagas de aprendizagem nas empresas, certamente aumentaria a velocidade na erradicação do caso", finaliza.

Diário do Nordeste
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