CE terá banco de dados para localizar desaparecidos

Foi como gota d'água em chapa quente. Evaporou. Ribamar Santiago desapareceu de casa no mês em que faria 45 anos de idade, em circunstâncias tão desconhecidas quanto o atual paradeiro. Hoje, 15 anos e muitos trotes telefônicos depois, a esperança da família já morreu - mas ainda se sustenta na irmã, Cleide Santiago, 69, única que "ainda pensa todos os dias" no retorno do ente querido.
As circunstâncias do desaparecimento e as características físicas dele deveriam constar em um banco de dados, para facilitar a busca - mas o Ceará ainda não tem um. A realidade deve mudar em abril de 2019, com a implantação do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), a ser mantido em uma parceria entre o Governo estadual e o Ministério Público do Estado (MPCE).
A implantação, como ressalta o promotor de Justiça do MPCE, Iran Sírio, será uma forma de suprir uma deficiência do Estado. "Fortaleza não tem uma estatística, então a meta é uniformizar informações. Quantas pessoas entram no Instituto Doutor José Frota (IJF), na Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) ou nos Centros de Referência sem identificação? O Sinalid possibilita que esses órgãos forneçam dados e características para que todos tenham acesso e a busca seja facilitada".
De acordo com Iran Sírio, o MPCE tem realizado reuniões em busca de parcerias com órgãos públicos - como Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), hospitais, delegacias, Perícia Forense, serviços de acolhimento e vapt-vupts - para implementação do banco nacional, e deverá firmar um Termo de Cooperação com o Governo do Estado para designar servidores que auxiliem na alimentação do sistema. O próximo passo, garante o promotor, é estabelecer pacto com o Município.
O Sinalid foi criado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que fez convênio com o Conselho Nacional dos MPs, possibilitando a utilização da ferramenta por outros estados - como São Paulo, Manaus, Alagoas, Pernambuco e outras unidades da federação que já aderiram. No Ceará, o sistema deve ser implantado, "com otimismo", até o primeiro semestre do ano que vem, conforme estima o promotor.

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