Desde 2014, quatro quiterienses foram resgatados por trabalho escravo em São Paulo

Uma reportagem do jornal O POVO publicada no último dia 03 revela que, pelo menos, 75 cearenses foram resgatados em quatro anos, no interior de São Paulo, em operações anti-escravidão do Ministério Público do Trabalho (MPT). Entre estes 75, estão quatro naturais do município de Santa Quitéria.
Os quiterienses resgatados estavam sendo explorados em situações análogas à escravidão, sendo um na cidade de Salto, dois em São Paulo e um em Itu.
Salto, distante 112 km da capital paulista, é uma das maiores concentrações de cearenses nesta situação. Em abril deste ano, uma operação salvou 28 pessoas, entre eles, dez cearenses de Santa Quitéria, Canindé, Boa Viagem, Madalena, Maracanaú e Caridade, que vendiam queijo e iogurtes nas ruas da cidade.


Nos alojamentos onde viviam, não recebiam roupa de cama ou de banho, dormiam em locais úmidos, insalubres e empestados de insetos. Trabalhavam em regime acima do permitido e com salário inferior ao previsto para a categoria, conforme informou o MPT à época.
Dados como este são levantados pelo Ministério Público do Trabalho, através de operações do órgão que alimentam o Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil. A mesma ferramenta aponta que, desde 2003, mais de 560 trabalhadores foram resgatados no estado do Ceará, a 18ª posição a nível nacional. A lista negra do trabalho escravo é puxada por Paracuru, com 141 egressos.

Homem, jovem, pobre e nordestino
De acordo com a procuradora Catarina von Zuben, coordenadora nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, o perfil do trabalhador resgatado é quase sempre esse: homem, jovem, baixa escolaridade, de estados do Nordeste, e esse fluxo migratório para trabalhos escravos é uma “constante que não dá sinais de que irá parar tão cedo”.
Ela destaca que, na maioria dos casos, trabalhadores recebem propostas inicialmente vantajosas para trabalhar em outras regiões, mas acabam endividados com os próprios patrões e tendo que “pagar para trabalhar”. “O trabalhador é iludido, porque não coloca na ponta do lápis que o patrão vai descontar moradia, alimento, transporte da promessa inicial”.
“O dinheiro acaba sendo bem menor, então ele tem vergonha de voltar para casa sem trazer o que prometeu”, diz Catarina. A procuradora do Trabalho destaca ainda que, de maneira geral, é comum que famílias inteiras de municípios nordestinos migrem juntas e acabem em situação de trabalho escravo. “Um primo chama, outro, que chama outro, e por aí vai.
“Faltam políticas públicas para fixar o trabalhador em seu estado de origem. O que percebemos é que a maioria dessas pessoas não quer morar em São Paulo ou em outro estado. Elas não buscam o local em si, buscam as condições que ali existem”.
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