Inteligência não rastreou inocentes na ação

O comando da operação policial ocorrida ontem em Milagres pode ter ignorado alguns procedimentos de comunicação, de tática e de operacionalidade, que são obrigatórios em ações dessa envergadura. O mais grave deles teria sido a falta de previsão da possibilidade de a quadrilha fazer reféns.
Da polícia de Sergipe chegaram as informações para a Coordenadoria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) de que uma quadrilha assaltaria bancos em Milagres ou Missão Velha, municípios da região do Cariri cearense. A média de ações contra bancos no Estado em 2018 tem sido de quase um por semana.
O que teria dado de errado na operação em Milagres? O comando do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), do Batalhão de Choque da PM do Ceará, teria se deslocado para o Cariri sem cogitar a presença de reféns no cenário montado pelos assaltantes que seriam da Paraíba e Pernambuco.
A captura dos reféns não teria entrando no radar das escutas feitas nos telefones celulares dos criminosos. O mais provável é que os telefones que vinham sendo monitorados teriam sido descartados pelos bandidos muito antes da entrada em Milagres e antes de fazerem inocentes de escudos humanos.
O protocolo de comando da PM na Operação de Milagres também teria pecado porque não previu possíveis mudanças no comportamento da quadrilha dos ladrões de banco.
A PM teria seguido o mesmo padrão que vinha se repetindo em outras ações contra agências bancárias e carros fortes: a inexistência de reféns.
Assim ocorreu em Quixeré, no último 23 de novembro, quando seis homens tentaram assaltar um carro-forte e foram mortos pela Polícia. Ação semelhante se deu em 1º de abril do ano passado. Na ocasião, seis homens foram mortos após atacarem um banco em Jaguaruana. Um inocente foi alvejado pela polícia.
Na manhã de ontem, o titular da 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Gledstone Chaves, criticou também a falta de informações sobre a operação do Gate. Após serem chamados para atender a uma ocorrência no quilômetro 495 da BR-116, em Milagres, equipes da PRF foram surpreendidas por policiais militares em diligências. Sem o aviso sobre a periculosidade da situação, apenas dois policiais rodoviários foram deslocados para o local.
"Por que não comunicaram a gente? Uma ação como essa envolve todos os policiais. Fomos atender a um suposto acidente e poderíamos ter nos deparado com vários bandidos armados", reclamou Gledstone Chaves em entrevista à Rádio O POVO CBN Cariri.
Segundo o inspetor rodoviário, normalmente, em operações coordenadas, a PRF e a Polícia Federal são notificadas e envolvidas. Neste caso, isso não aconteceu. "Se fosse uma coisa coordenada, não teria deixado tantos mortos", criticou. Parte das vítimas era da mesma família, havia saído do aeroporto de Juazeiro do Norte (CE) e seguia para Serra Talhada (PE).
O clima entre a SSPDS e o gabinete do governador Camilo Santana (PT), durante o dia e a noite de ontem, foi tenso. Mesmo com a Secretaria afirmando que a PM já vinha realizando investigações contra grupos que atuavam nos ataques a instituições financeiras no Cariri.
O POVO apurou que, na reunião da cúpula da SSPDS com oficiais envolvidos na Operação de Milagres, a pergunta mais incômoda era por que os assaltantes de banco matariam reféns? E não teria havido respostas tecnicamente convincentes.
Dois grupos do Gate, em viaturas descaracterizadas, teriam entrado em Milagres e se encontrado com os assaltantes em frente ao Banco do Brasil. Desconfiados, segundo a versão dos policiais, os homens da quadrilha teria aberto fogo e os policiais revidaram. A antecipação virou tragédia.

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