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Imagens mostram a execução de reféns durante tentativa de assalto a banco em Milagres

Policiais Militares atiraram de fuzil contra os reféns a menos de sete metros do poste onde eles tentavam se proteger dos tiros. O G1 teve acesso às imagens das câmeras que revelam o momento exato da execução de cinco familiares pernambucanos, tomados de reféns pela quadrilha que tentava explodir dois bancos no interior do Ceará.
O G1 obteve também as evidências apresentadas pela comissão da Polícia Civil que apontam a alteração da cena do crime pelos militares e a tentativa de destruir provas para atrapalhar as investigações. Isso inclui a recuperação das imagens apagadas do circuito interno de um supermercado em frente à cena do crime. Os delegados pediram a prisão preventiva de 15 militares, mas o Ministério Público desconsiderou na denúncia apresentada à Justiça, alegando falta de evidências para as prisões.
Na madrugada de 7 de dezembro, uma operação do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), a elite da Polícia Militar cearense, agiu para frustrar ataque de uma quadrilha que tentava roubar agências do Banco do Brasil e do Bradesco no município de Milagres, interior do Ceará. O confronto resultou em 14 mortos, sendo seis reféns que haviam desembarcado no aeroporto de Juazeiro, vindos de São Paulo - cinco pessoas pertenciam à mesma família. Dezenove policiais militares e o vice-prefeito da cidade viraram réus.
O advogado Ricardo Valente Filho, do Conselho de Defesa do Policial no Exercício da Função (CDPEF), da Secretaria de Segurança, defende que a ação policial configura "excludente de ilicitude".

"Os policiais estavam de serviço. No cumprimento do dever legal. Foram recebidos à bala, precisavam agir". Sobre a situação das vítimas de Pernambuco, feitas reféns, Ricardo afirma que "elas não gritaram, não pediram socorro, não acenaram, sem comunicação verbal ou visual."



Toda a ação foi registrada por câmeras de diversos estabelecimentos no entorno da cena do crime. Uma comissão de delegados e peritos forenses foi criada para investigar o caso. O inquérito foi enviado ao Ministério Público do Estado do Ceará, que apresentou duas denúncias à Justiça. No último dia 20 de maio, o juiz responsável pelo caso retirou o sigilo.
Câmeras mostram, por três diferentes ângulos, o momento em que a composição do capitão Azevedo dispara na direção dos reféns, que estavam atrás de um poste, na calçada lateral do Bradesco. De acordo com a Polícia Civil, os disparos aconteceram “quando a situação já estava controlada”.
A câmera do supermercado Burundanga mostra, às 2h37min39s, que os policiais atiravam na direção dos reféns quando todos os suspeitos do assalto já estavam caídos mortos ou tinham se evadido do local. Os policiais avançam pela calçada da farmácia Santa Cecília, em frente aos dois bancos. Tentavam se esconder atrás do poste os reféns João Batista e Vinícius Magalhães (pai e filho), Cícero Tenório, Claudineide Campos e Gustavo Tenório (pai, mãe e filho).
“A cronologia dos fatos aponta que no momento em que a equipe do capitão Azevedo chega à posição dos disparos que atingem as vítimas/reféns, ou seja, durante a progressão pela calçada da via no sentido da Prefeitura à agência do Bradesco, a situação de confronto já inexistia”, afirma o relatório final da comissão de investigação.
Ainda no contexto da abordagem aos reféns, o relatório afirma que “não consta do laudo pericial a existência de estojos próximos ao local onde os corpos das vítimas/reféns tombaram sem vida, o que afasta a tese da existência de um assaltante na direção dos policiais”.

Destruição de provas


O G1 teve acesso às imagens recuperadas pela perícia forense após a tentativa de policiais militares de destruir provas de como se deu a operação. Às 05h06, dois policiais recolhem objetos do chão da calçada que fica na rua José Esmeraldo da Silva, do lado oposto ao Banco do Brasil e no caminho que era percorrido pelos militares que mataram os reféns; às 6h35, dois policiais militares encapuzados falam com um senhor que aparenta ser o dono do comércio do qual as câmeras foram periciadas.
Após a conversa, um dos PMs fala pelo rádio comunicador da Polícia. Um minuto depois, entram no estabelecimento por uma porta lateral. Os policiais foram identificados como tenente Medeiros e o cabo Natanael.
De acordo com o relatório final da Polícia Civil, eles formataram, por duas vezes, o HD do aparelho que guardava as imagens do supermercado, que possuía o melhor ângulo em relação ao local da morte dos cinco reféns pertencentes à família pernambucana. As imagens foram recuperadas pela Perícia Forense.

G1
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