Guarany e Floresta se articulam para reduzir o impacto financeiro do período sem jogos

Guarany e Floresta se articulam para reduzir o impacto financeiro do período sem jogos

Os clubes das quatro divisões nacionais do futebol brasileiro seguem se movimentando fora de campo para minimizarem os impactos da pandemia do coronavírus na vida financeira das instituições. Depois dos clubes da Série A decidirem por férias coletivas para os atletas a partir do dia primeiro de abril e negociarem de forma individual uma redução salarial, os das demais divisões, B, C e D se articulam para reduzir o impacto financeiro do período sem jogos. Após encontros com clubes da das Séries A, B e C, foi a vez dos clubes da Série D - entre eles Guarany de Sobral e Floresta como representantes cearenses - se articularem para procurar em seguida a CBF e garantir a manutenção da fórmula de disputa e um auxílio financeiro em tempos de bola parada devido ao coronavírus.

Os dois representantes cearenses na Série D, Guarany de Sobral e Floresta, aguardam desdobramentos das  reuniões entre os clubes, após o movimento iniciar por iniciativa dos capitães de todos os 68 times que jogarão a competição. Um grupo de whatsapp já de presidentes da Série D do Brasileiro foi formado, buscando uma unidade e resolução para procurar a CBF.

O presidente do Guarany de Sobral, Mauro Fuzaro, mostrou-se preocupado com a situação dos clubes, já que não há previsão para um retorno as atividades, pois o momento do fim da pandemia é impossível prever. Vale lembrar que o Guarany de Sobral rescindiu o contrato com seu elenco após a paralisação do futebol.

"Todos estamos preocupados com a saúde do povo, das pessoas, antes do futebol. O meu posicionamento hoje pode não ser o de amanhã pela incerteza que vivemos devido ao coronavírus. Não sabemos quando as competições voltarão. Por isso prefiro aguardar mais para definir um posicionamento do Guarany. O que posso dizer hoje é que o Guarany é favorável a qualquer decisão que beneficie o futebol. As decisões benéficas para o futebol, para a Série D, estaremos dentro".    

Já o vice-presidente do Floresta, Diego Felício, afirmou que o clube da Vila Manoel Sátiro aguardará a discussão com os demais representantes dos times da Série D para um posicionamento. "Foi criado um grupo com dirigentes dos clubes para serem discutidas algumas situações. Vamos aguardar as ideias dos colegas para nos posicionarmos".

Os capitães das 68 equipes que disputarão a Série D do Campeonato Brasileiro deste ano assinaram uma carta pedindo atenção da CBF ao torneio. No texto, eles pedem que a entidade máxima do futebol brasileiro mantenha a fórmula de disputa previamente acordada e dê suporte financeiro aos clubes por causa da paralisação pela pandemia causada pelo coronavírus.

"A pandemia que se instaurou no mundo e em nosso país, trouxe também sérias preocupações a milhares de atletas, que, até então, tinham a certeza de poderem trabalhar até o final do ano, mantendo assim o sustento de suas famílias. Não é apenas o vírus que ameaçam os atletas, mas também a atual situação de incertezas do calendário", diz trecho da carta.

A Série D teria uma fórmula nova de disputa para essa temporada. Oito times disputariam uma frase preliminar, que classificaria para a seguinte com os times divididos em oito grupos. Depois disso, teriam os mata-matas de segunda fase, oitavas de final, quartas de final, semifinal e a final. Quatro times sobem para a Série C.

Com a paralisação por causa do Coronavírus, surgiu a dúvida se os torneios nacionais terão suas fórmulas mantidas mesmo com o calendário apertado. A CBF ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.

"A grande maioria dos clubes que participa do Campeonato Brasileiro Série D de 2020 é clubes com baixa arrecadação, o que acarreta sérias dificuldades de arcar com o pagamento de nossa remuneração (salários e direitos de imagem) e encargos trabalhistas. Se os clubes que participam do Campeonato Brasileiro Série D de 2020 não tiverem o mínimo suporte neste momento tão delicado, nossos empregos correm sérios riscos, o que causaria danos sociais irreparáveis. Diferentemente dos Clubes das Séries A, B e C, os Clubes da Série D não possuem nenhum tipo de Cotas", prosseguem os capitães na carta.

Vladimir Marques