Isolamento social desacelera contágio do novo coronavírus em Fortaleza e no Ceará, aponta pesquisa

Isolamento social desacelera contágio do novo coronavírus em Fortaleza e no Ceará, aponta pesquisa

Em quarto lugar no ranking nacional de casos de coronavírus, o estado do Ceará e a cidade de Fortaleza- que lidera a  taxa de novos casos de coronavírus entre as capitais-  poderiam estar em situação ainda mais grave, se não houvesse o decreto de isolamento social do Governo do Estado. É o que aponta pesquisa realizada pelo Grupo de Sistemas Complexos, do Departamento de Física, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O levantamento, que  contou com apoio da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) e da Célula de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Fortaleza,  foi apresentada às autoridades na noite da última quarta-feira (8). O estudo teve outra particularidade: a base é a data em que os exames para Covid-19 foram realizados, e não a data da divulgação dos resultados.


Curva com aumento exponencial
Coordenador da pesquisa, o professor do Departamento de Física, da UFC, José Soares de Andrade, afirma que as curvas de coronavírus do Estado e da Capital poderiam ter tido um aumento exponencial, mas foram "achatadas". "A linha vermelha foi estimada com base nos primeiros dias da pandemia. A gente faz o que a gente chama de extrapolar, para mostrar o comportamento dela, caso alguma interferência não tivesse sido feita", explica

Segundo o físico, a pesquisa procurou um número mais real de casos, ao adotar a data em que os exames para Covid-19 foram realizados. "A pandemia não tem nenhuma relação com a variabilidade a qual os laboratórios de análise clínica entregam os exames. E essa variabilidade é muito grande", afirma.

Para o médico epidemiologista Antônio Lima Neto, o isolamento social precisa ser ainda mais amplo na Capital e no Estado. 

"Existem diferenciais de percepção de risco. Esse isolamento está sendo mais intenso, evidentemente, nas áreas que foram afetadas inicialmente, que são áreas de IDH maior, o Meireles, Aldeota, Cocó, Guararapes (em Fortaleza); mas a nossa maior preocupação é que se tenha essa percepção agora nas áreas mais vulneráveis".

Diário do Nordeste